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quarta-feira, 11 de abril de 2007

Quem tem medo das privatizações?

Quem tem medo das privatizações?

Em toda a véspera de eleição ocorre sempre a mesma gritaria. São os funcionários das empresas estatais, de seus sindicatos e outros interessados, querendo conseguir um compromisso público dos candidatos a favor da manutenção das empresas nas mãos do Estado. Isso sem contar as estratégias eleitoreiras.

Tirando essas últimas, um tempo achei que eram apenas corporativismo e defesa de benesses, mas recentemente, ao ter contato com um conceito chamado de "QA - Coeficiente de Adversidade" criado por um cientista americano, Dr. Paul Stoltz, vi que era muito pior do que isso.

Coeficiente de Adversidade, segundo o Dr. Stoltz é a capacidade e o tipo de reação dos seres humanos perante os problemas, em média 25 significativos por dia. Todas as pessoas têm o seu QA, mas com grandes variações entre si. Quanto menor, piores as reações e maior o risco da pessoa se desequilibrar, se imobilizar ou reagir negativamente perante a adversidade. Por outro lado, quanto maior, melhor reage.

Foram realizados levantamentos em diversos lugares e em breve isso deverá ocorrer no Brasil também. Algumas evidências devem confirmar situações similares a de outras culturas. Pesquisas informais, análises dos dados dos outros países, conversas com o Dr. Stoltz e leitura dos seus livros indicam que aqui também a gritaria contra a privatização transcende negativamente o corporativismo. É algo doentio e perverso.

O pior QA médio é encontrado no ambiente público – eis porque precisam “cláusulas pétreas”, que impedem a dispensa de funcionários e distância do sadio nível de exigência do ambiente privado. Como normalmente são pessoas inteligentes, pois passaram por algum concurso difícil, a pergunta a ser feita é: escolheram algo assim porque já tinham QA baixo ou ele foi reduzido em função do ambiente? No fundo, tanto faz.

O doentio está no funcionário ser conivente com algo assim, pois o seu QA não é cada vez mais baixo apenas no e para o trabalho, mas para a vida. Ele perde em qualidade, graça, prazer, evolução e como gerador de benefício social. O perverso está na cumplicidade do restante da sociedade em manter uma situação mediocrizante.

O que é ruim para todos, pois o baixo QA médio de quem trabalha nas empresas, seja as “do povo brasileiro” ou outras, faz com que o serviço que prestem tenda a ser inadequado, ou caro, ou... Invertemos todos os valores – quem deveria servir, por que não quer ser confrontado com adversidades, tende a apenas se servir.

Quanto à escala do QA, em seguida, ainda entre os piores (quartil inferior), vem o meio acadêmico. Outra péssima notícia – capacidade de superar adversidades baixo, justo no ambiente onde se deveria formar positivamente o caráter dos nossos jovens! Isso explica a enorme resistência a mudanças neste ambiente (mudar gera adversidades) e o fato de formarmos tantos jovens voltados a passar em algum concurso ou serem empregados.

Segue o QA encontrado na base da pirâmide operacional das empresas privadas, depois vem o da sua gerência intermediária, então o da chamada “alta gerência”. Este é similar aos dos pequenos e médios empreendedores independentes. O mais alto QA médio é o dos empresários. Este último sempre tem sido o maior em todos os países, o que é bastante óbvio.

Didaticamente, quando alguém de QA baixo encontra seu carro com o pneu murcho, se lamenta profundamente e o restante do seu dia está estragado. Ocorrendo o mesmo para uma pessoa com o QA alto, ela simples e automaticamente troca o pneu e reorganiza mentalmente suas atividades adequando-as ao novo cenário. Ou seja, o mesmo episódio para uma pessoa é uma tragédia, para a outra, apenas um transtorno. Isso considerando um problema menor. Imagina quando esses são maiores.

Esse “pequeno detalhe” – como a pessoa reage perante a adversidade, proporciona uma enorme diferença na qualidade de vida e na sua preparação para ela e quanto receia o nível de exigência do ambiente privado. Napoleão dizia – tragédia ocorre quando morremos. Se não é esse o caso, é apenas um transtorno ou uma oportunidade a mais.

A notícia boa é que o próprio Dr. Stoltz também desenvolveu uma metodologia bem acessível e simples para melhorar o QA. Se só o fato de saber que algo assim existe, já faz com que se mude, imagina o que ocorre quando há uma preparação para isso. Um boa parte de como proceder pode-se encontrar nos seus livros traduzidos inclusive para o português.

Elevar o QA é benéfico para pessoa, a sociedade como um todo, pois melhora imensamente a qualidade de vida. De todos, independente onde e com o que se trabalhe, pois o dono do capital não deveria importar, apenas a filosofia e o DNA empresarial.


Ter esse conhecimento e continuar a ser partícipe ou apoiador da não privatização nos torna coniventes com a desgraça alheia e perversos conscientes, algo muito ruim e segundo os adeptos da filosofia oriental, gerador de karma. A consciência para os dependentes do emprego nas empresas, estatais ou não, por baixo QA, e que o querem manter assim, tem implicações muito negativas. Amplifica o risco das suas frustrações se ampliarem mais ainda com as 25 “tragédias” diárias e assim somatizarem algum câncer ou outra doença psicossomática.

Harry Fockink harry@fockink.com.br

Pelotas apenas com o ônus.

Pelotas apenas com o ônus.

Antes que alguém pense em fazer um trocadilho de mau gosto com o título do meu artigo, vou explicar: estou intrumentalizando essa simpática cidade para demonstrar minhas observações sobre a nossa cultura de pouquíssima agressividade comercial.

Os gaúchos são a maior mistura racial do Brasil e talvez do mundo. O que proporciona muitas coisas boas, como o senso estético e criatividade dos italianos, a capacidade de trabalho dos alemães, o respeito a cultura dos portugueses, o "deixa comigo dos espanhóis/argentinos, etc., etc.

No entanto, não ficamos só com o lado positivo, pois se assim não fosse, já teríamos “tomado conta do mundo”.

E nesse caldo de cultura vamos encontrar Pelotas, que tem em excesso tudo o que se apregoa que falta para o Brasil evoluir, dar certo. Educação superior, escola técnica, história, cultura, recursos, apenas para citar o básico. Por que então Pelotas não “dá certo”, se o Brasil daria se tivesse isso tudo? Tem algo que vem antes. A atitude. Sem ela, não adianta o resto.

A dificuldade em ter a “atitude” adequada, em Pelotas, é mais forte que em outras regiões, que nem de longe tem a base dela, devido a perda do primado econômico e social, ou seja, já estiveram “por cima da carne seca”. Tanto que essa expressão deve ter surgido lá nas charqueadas e perderam essa posição para a indústria e serviços de outros locais. Jamais perdoaram isso, só que ao invés de retomar o primado por competência, superação, tenta obtê-lo derrubando a quem os superou e se lamentando por não conseguir.

Para mudar, só com outra “atitude”. Podem começar em transformar em bônus o conceito que tem, e que faz com que o pelotense evite dizer de onde é. E não só no Brasil. Basta começar a usar a seu favor, essa imensa divulgação gratuita que se faz deles. Além de evitar as brincadeiras quanto a sua opção sexual, iriam criar muitas oportunidades de desenvolvimento, pois se existe um mercado consumidor, que não está sujeito a crises, é o do público GLS. E para Pelotas, ele está de “mão beijada” (mão, por favor!), basta comunicar que quer, que aceita servi-lo.

O momento para tratar do tema é propício, pois de um lado, tem realizado as mais bem sucedida Fenadoce da história. Conseguiram trazer até o Presidente da República – aquele mesmo que disse que eles exportavam veados – lembram? De outro, em São Paulo ocorreu a maior passeata GLS do mundo. Juntemos as duas coisas e façamos negócios!

O potencial é imenso. Sem grandes e onerosas campanhas, alguma criatividade, embalagens diferenciadas para os bons produtos que hoje já oferecem, desde seus doces, enlatados, indo para o turismo, congressos, feiras e exposições. E um pouco de agressividade comercial. Se o brasileiro em geral tem vergonha de vender, o pelotense mais ainda.

Certamente, algum dia, alguém transformará Pelotas e sua fama em negócio. Possivelmente seja “de fora”, enquanto os de lá vão ficar se lamentando. Mesmo assim, alguns benefícios terão. Estes podem ser muito maiores se uma das muitas associações empresariais de lá encampar o projeto. Aliás, outro fenômeno inaceitável – as associações, ao invés de se aliarem - ficam fazendo “concurso de beleza”, entre elas, diluindo o esforço que é feito. Bem coisa de pré-adolescente que fica competindo “quem tem o maior”. Depois não querem ser conhecidos pelo conceito que qualquer criança no Brasil sabe qual é...

Harry G. Fockink Mentor da Universidade do Churrasco, Empresário e Vendedor

As sete virtudes e os sete pecados capitais no ambiente empresarial brasileiro.

As sete virtudes e os sete pecados capitais no ambiente empresarial brasileiro.

Segundo a Bíblia, os Sete Pecados Capitais são gula, avareza, luxúria, inveja, ira, preguiça e soberba. Comportamentos que nascem sadios, mas por serem praticadas em excesso ou de forma obsessiva se voltam contra a pessoa. Assim como ambição desmedida vira ganância, hedonismo se transforma em gula, austeridade financeira e respeito à psicologia do dinheiro em avareza, excitação em luxuria, autoconfiança em soberba, admiração em inveja, o importante ócio criativo em preguiça e a inconformidade em ira. O limite que separa um e outro pode ser tênue, mas é claro. A pessoa, desde que tenha um mínimo de maturidade ou de autoconhecimento, sabe quando o ultrapassa.

E no ambiente empresarial brasileiro?

Os sete pecados são uma forma do inconsciente coletivo brasileiro se manifestar. São comportamentos inadequados gerados a partir de crenças ou posturas incoerentes que adquirimos por viver no Brasil. Não incluem eventuais desvios de caráter, como desonestidade e falta de ética, entre outros.

Da mesma forma como os pecados originais impedem o acesso ao Reino dos Céus, os do ambiente empresarial bloqueiam ou dificultam o caminho para participar do reino dos grandes jogos e competições. Quando a participação é permitida, o campeonato, os jogos, os desafios, os outros jogadores e especialmente os prêmios, isso quando existem, são para amadores ou somos o trouxa da rodada. As exceções, que felizmente ocorrem cada vez mais, apenas confirmam a regra.

Baseados em anos de observação e pesquisas, coletei os principais pecados:

1 – Complexo de inferioridade ou “de vira-latas”, segundo Nelson Rodrigues. O pior dos pecados, mas o mais fácil de curar. Basta parar no caminho entre a subserviência, que é diferente da sadia humildade e a arrogância, a soberba – olha ela ai outra vez. Passamos direto do comportamento vira-lata para o de elefante em loja de cristais. Antes, um pouco antes, está o limite. O ponto ótimo se encontra quando passamos pelo estágio de homo sapiens. Mantendo-nos nele, não sendo subservientes nem arrogantes, somos altamente funcionais!

Nossos antepassados portugueses geraram esse complexo, reforçado pelo tipo de imigrante de outras etnias que recebemos e as circunstâncias da sua vinda.

Como testar se sofremos de “vira-latismo”? É o caso se, especialmente ao negociar, falamos “portunhol” com os argentinos, ou inglês “sambônico” com americanos. Se for algo importante devemos contratar um tradutor e se não for, eles que falem nossa língua! Quando se tenta falar a língua do outro, sem a dominar como se fosse nossa, proporciona-se a passagem psicológica que torna o interlocutor superior a nós com todas as implicações conseqüentes.

2 – Vergonha de vender. O pecado mais caro, o que mais nos onera. Países minúsculos como a Holanda ou poderosos como os EUA tem a postura comercial na raiz do seu sucesso. A vergonha se origina numa combinação do complexo de vira-latas dos lusos com a crença dos italianos e alemães, entre outros, de que “basta fazer bem feito que alguém há de comprar”. Consideravam vergonhoso ter que vender, pois isto significava que estavam fazendo algo ruim, que ninguém desejava. No auge da imigração, quando o nosso inconsciente coletivo empresarial foi formado e a demanda era maior do que a oferta, isso até podia ser verdade. Não atualmente, em que pela primeira vez na história da humanidade, temos excesso de oferta de praticamente tudo.

3 – Vergonha do lucro, de ganhar, ou melhor, fazer dinheiro. Não é mais fácil um camelo passar pelo olho da agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus? Mesmo que haja uma falha na tradução e o animal nada tenha a ver com a história, a cultura do voto de pobreza é responsável por esse pecado. Como uma sadia formalização da inteligência, precisamos cultuar a riqueza, em todos os seus aspectos!

4 – Concursismo - neologismo adequado para o Brasil, onde o primado social pertence à tecnoburocracia estatal. Isso leva muitos “quererem passar num concurso”. Infelizmente boa parte dos melhores o consegue. Depois são coniventes com sua mediocrização. Esse pecado também se manifesta através da péssima forma como o Estado se relaciona com o empresário. E desde o tempo do Império. Basta ver as atrocidades cometidas com o Visconde de Mauá. Este comportamento se origina no “bacharelismo” que imperava já antes da corte portuguesa chegar ao Brasil. Os comerciantes não eram bem-vindos nos salões do império. É óbvio que havia duas origens: a religião e os proprietários rurais

Este comportamento também reforça o ódio que alguns segmentos da sociedade têm pelo empresário. Segundo a ONU, entre as milhares de profissões catalogadas, a de empresário é única que gera riqueza. As demais vivem dele. O empresário deve ser encarado como o braço operador da providência divina. Quando ele está bem, muitos estão. Inclusive os que vivem dos impostos que paga. Quando está mal, todos estão ou ficarão. Nos países ricos, o referencial, o modelo, a figura mais admirada e imitada é o empresário.

5 – Indisciplina, predisposição para desistir, falta de foco, ausência da constância de propósito, da convicção, do monitoramento sistemático e baixa capacidade de superar adversidades. Esperamos e quereremos que as coisas caiam do céu, e no colo de preferência, para não dar muito trabalho.

Bastaram, aos chamados Tigres Asiáticos, a eliminação desse pecado, transformando idéias em ações concretas, monitorando o processo, estimulando o aproveitamento de oportunidades para que ficassem ricos.

6 – Unilateralidade, ser contra o outro, deslealdade, “descombinar” ao invés de recombinar, egocentrismo - uma distorção do egoísmo, algo sadio que nos auto-responsabiliza e faz crescer. Este pecado também poderia ser chamado de “Lei de Gerson”. Ele que não foi gerado pelo anúncio de um cigarro - este apenas explicitou uma crença que faz parte do nosso inconsciente coletivo e por isso marcou tanto. Outra forma dele se manifestar ocorre quando compramos brigas que não nos dizem respeito, ou nos tornamos marionetes em jogo de interesse que não nos beneficia - algo freqüente no ambiente político, sindical e dos “ecochatos”.

7 – Identificação com perdedores - mais uma manifestação de imaturidade, algo bastante presente em todos os demais pecados, mas nesse ainda tem o agravante de reforçar o assistencialismo que mediocriza a todos os envolvidos. É uma manifestação genuína e tipicamente brasileira, que poucas vezes encontrei em outras culturas. Origina-se na combinação de todas as crenças negativas interagindo entre si e se reforçando mutuamente.

Para checar, individualmente ou num plenário bastam cinco minutos de um jogo de futebol entre dois clubes desconhecidos do público presente. Nos países ricos, a maioria dos presentes automaticamente torce pelo que estiver vencendo. No Brasil, dependendo de onde for o teste, ocorre o contrário. Quanto maior o desenvolvimento, mais torcem pelo vencedor. Isso explica o baixo desempenho de Pelotas, por exemplo, que tem em excesso tudo o que se diz que falta para o Brasil “dar certo”, mas há décadas encontra-se num enorme marasmo. Apesar de ter cultura, boa localização, proximidade com porto, duas universidades, escolas técnicas, etc. E o que dizer de Cuba?

Livramo-nos de mais um pecado ficando atentos às nossas reações checando, se estamos admirando ou invejando, se “levamos vantagem” apenas para ser contra o outro, unilateralmente, ou se estamos sendo a nosso favor de forma coerente.

De certa forma, todos os pecados estão inter-relacionados, um reforçando o outro, mas a identificação com perdedores realimenta muito o complexo de vira-latas e vice-versa. Por outro lado, a redução de um ajuda na eliminação do outro.

Conseqüências negativas dos Sete Pecados – induz, de maneira muito forte, que se use negativamente a nossa imensa capacidade criativa e de encontrar alternativas e possibilidades. Por exemplo, infelizmente, o Brasil possui um grande número e alguns dos maiores “especialistas" em fraudes digitais do mundo, os “crackers”. São indivíduos com conhecimentos técnicos às vezes profundos e outras vezes nem tanto, mas que são capazes de invadir sistemas com diversos recursos "anti alguma coisa", como os antivírus, antispam, antispyware, firewall, IPS, IDS, etc., para roubar. Isso sem contar os “hackers” que invadem apenas pelo prazer de fazê-lo.

Para obter a remissão dos pecados empresariais, a experiência mostra que devemos cultuar o que temos de bom e automaticamente “seremos perdoados”. O Brasil tem o privilegio de ser formado por etnias muito diversificadas, que realmente se misturaram criando um dos mais fascinantes inconscientes coletivos que a humanidade já produziu. Precisamos, além de evitar se volte contra nós, passar a usá-lo a nosso favor.

Se dos portugueses temos o complexo de vira-latas, também vem deles o respeito à tradição, o que serve de portador de diversas manifestações importantes. Das folclóricas como a nordestina e a gaúcha, que proporcionam inúmeras atividades culturais e comerciais, até o forte culto às crenças existentes. É inerente ao ser humano defender no que acredita, imagina isso reforçado pela nossa postura lusitana. Chegamos a matar pelas nossas crenças, convictos de que estamos certos, por isso, melhor se elas forem positivas e sadias, até porque daí valorizaremos a vida e tudo o que ela tem de belo e melhor.

Dos espanhóis temos a predisposição para entrar em disputas que não nos dizem respeito, mas também a voluntariedade.

Os italianos legaram a cultura latina de ser contra o outro, mas também a criatividade, o senso estético, o dar “nó em pingo de água”, o “jeitinho”.

Dos alemães temos a inveja, mas também o orgulho pelo trabalho, a capacidade de organização e sistematização.

E isso referindo apenas quatro das muitas etnias que nos formam.

E as Sete Virtudes dos brasileiros no ambiente empresarial? São muito mais que sete. Elas serão abordadas em novos artigos. Como um estímulo para futuras reflexões, imagine o que nos aguarda se conseguirmos nos livrar dos pecados e ainda desenvolver as virtudes!

Por enquanto duas indicações. Apenas duas, mas para desenvolvê-las precisamos nos superar muito, especialmente para começar. Mas se você leu até esse ponto, as chances são enormes, existe disponibilidade ou temos opiniões semelhantes, já que não é comum nos interessarmos pelo que nos contraria. Gostamos de reforçar crenças existentes e detestamos mudar. O que é uma pena, pois se o fizermos, nós brasileiros teremos bem mais do que sete hábitos extremamente eficazes.

Primeira indicação – Assim como é recomendado na Bíblia – inicialmente admitir que pecamos e reconhecer quais pecados estão mais presentes na nossa vida. Esse é um passo fundamental para evoluir, mudar e obtermos a remissão. A grande vantagem é que não precisamos de um agente externo para nos perdoar. Eventualmente uma ajuda para mudar um comportamento pode agilizar o processo, mas a evolução para a virtuosidade pode ocorrer numa combinação da pessoa com ela mesma.

Redimimo-nos adquirindo conscientemente o comportamento “não pecaminoso” exercitando-o até que ele se torne inconsciente. Podem ser todos os pecados dos quais sofremos ao mesmo tempo, ou priorizando o que mais nos atrapalha.

Adquirir um novo comportamento é como quando aprendemos a dirigir. No início ocorrem alguns solavancos, com o tempo, o treino, a repetição, o fazemos sem pensar e com imenso prazer. Pelas minhas observações são necessários, sem nenhuma relação cabalística, sete meses para consolidar o processo. Como disse sabiamente a respeito deste artigo, quando estava sendo desenvolvido, Jorge Gerdau Johannpeter, um dos melhores exemplos brasileiros cujos pecados, no contexto deste artigo, estão perdoados, talvez por algumas gerações: “importante é ler, entender e evoluir”.

2 – Praticar de forma consistente os aspectos positivos que compõe o nosso inconsciente coletivo. Como já estão em nós, precisamos apenas fazer com que aflorem, se tornem conscientes e se manifestem mais que os negativos. Mantendo a analogia, é como passar de um carro com problemas para um novo com direção e cambio hidráulico. As primeiras vezes que o dirigimos nos atrapalhamos um pouco, depois não gostamos mais de como era antes. Felizmente.


Podemos e devemos ser bem sucedidos! São muitas e cada vez em maior número os exemplos disso. Vale a pena e é possível. Se uma vez, contra tudo e todos, Ozires Silva pariu e fez crescer a Embraer, hoje uma das principais indústrias do setor no mundo, o que você está esperando para escrever uma história parecida? Mesmo que não pareça, hoje é mais fácil. E necessário.

Harry G. Fockink, em ordem crescente de importância: Engenheiro, Administrador, Empresário e Vendedor

A segunda mais importante profissão

A segunda mais importante profissão

A atividade de empresário, segundo um trabalho de pesquisa realizado pela ONU, foi considerada a única, entre milhares de profissões, 6460 se estou bem lembrado, que gera valor. Assim, sem dúvida, é a mais importante. Considera-se empresário todo aquele indivíduo que se responsabiliza de forma autônoma por si e que gera oportunidade para outros poderem de forma direta obter ganhos ou pelo menos seu sustento. Isso engloba desde o pequeno agricultor com sua “empresa familiar”, até sócio-executivos de grandes corporações internacionais. Trata-se de uma constatação difícil de ser aceita em certos ambientes. Especialmente no Brasil onde o primado social, desde os tempos do Império, é da tecnoburocracia estatal e paraestatal. O que, diga-se de passagem, não ocorre em nenhum país desenvolvido. Neles não foi invertida a ordem – o Estado permanece servindo a sociedade e não como acontece no Brasil – o Estado se serve dela.

Tenho refletido muito sobre qual seria a segunda profissão mais importante. Conclui que é a de professor. Especialmente o universitário, já que ele é formalizador do “rito de passagem” que ocorre entre a infância, adolescência e a vida adulta. Em outras palavras, eles têm diretamente a responsabilidade de treinar e desenvolver milhares de jovens, de maneira que estes assumam a mais importante das profissões. Se trabalharem bem, em geral, a universidade formará um grande número de empresários. Se não o fizer, limitará seus alunos. Um sintoma para avaliação é verificar quantos empreendedores, que querem ser empresários, se formam todos os anos e quantas pessoas que pensam apenas em buscar emprego ou pior, futuros frustrados, “concursistas”.

No Brasil, assim como o empresário não tem consciência da importância de seu papel, já que aceita e é conivente com a perversa situação do primado social ser da burocracia estatal e não dele, as instituições públicas e privadas de ensino superior que pesquisei, não se dão conta da importância social do professor. A atividade, na nossa história mais recente, desde a década de 60 é mal remunerada, mal tratada, ignorada em suas contribuições, mal vista, a ponto acabar atraindo um tipo de profissional inadequado para exercer, reiterando, a segunda mais importante das profissões. Em boa parte dos casos, as exceções apenas o confirmam, a atividade se tornou opção de quem não tem opção, ou seja, quem não tem coragem para ser um empresário ou fazer carreira numa empresa, ou ainda não passou em algum concurso, vira professor universitário.

E agora as boas notícias. Como no Brasil boa parte do ensino superior é privado, temos a excepcional oportunidade de modificar aceleradamente este estado de coisas. É rápido e fácil decidir pela mudança. Basta treinar os professores, mesmo os que o são por falta de opção, na metodologia do Coaching Integrado, desenvolvido por Rhandy Di Stefano. Não me iludo que tomada a decisão, magicamente as coisas vão acontecer. Conheço a imensa resistência a mudanças que existe no meio acadêmico, mas como a metodologia necessária está disponível, é de fácil acesso e absorção e uma vez a pessoa tendo tomado contato com ela, são proporcionadas significativas melhoras para ela, a sua multiplicação se dará rapidamente dentro da universidade. Assim, a grande mudança que tanto precisamos também irá ocorrer devido à imensa força multiplicadora das Instituições de Ensino Superior. Duvida? Então experimente...

A PESSOA -- "OVELHA" OU SER HUMANO REALIZADO?

A PESSOA -- "OVELHA" OU SER HUMANO REALIZADO?


Mesmo que pareça estranho usar uma analogia zoológica, podemos aprender muito com os animais. Por exemplo, um empresário, se observar atentamente uma vaca, pode eliminar uma série de dúvidas a respeito de seu papel. Ela não abre mão de beber água em favor de outro animal, mesmo este sendo um bezerro, podendo inclusive ser o próprio filho. Se ela o fizesse, perderia uma oportunidade de garantir o leite desse mesmo animalzinho. Enquanto viva, ao cuidar de si, proporciona alimento, inclusive às plantas. Mesmo quando morre é função para os outros com sua carne, ossos e pele. Mas ela só faz isso e bem-feito na medida em que está bem e quanto melhor está mais proporciona, e não por assistencialismo, pois, em primeiro lugar está ela. A partir de certa idade da sua cria, resolve a relação com seus sucessores de uma maneira muito conveniente, pois estes tendo atingido a capacidade mínima de se responsabilizar por si, não mais os quer diadicamente dependentes ou vinculados a ela, prestando-lhes dessa forma um grande serviço. Com certeza, pela sua “utilariedade” funcional, exercida através de um sadio egoísmo, faz parte de uma espécie que jamais será extinta.

Todo o ser humano com um nível de inteligência mediano sabe que a vida é um jogo. A maioria não gosta que seja assim, são até infelizes por isso e passam a maior parte do tempo buscando maneiras para fazer o menor número de apostas possível. Vinculam-se a organizações que utopicamente lhes prometem isso. Outros são diferentes.

Todos aqueles que participam do alto e prazeroso jogo da vida, e não apenas buscam cumprir o seu ciclo biológico, deverão se interessar pela analogia “zoológica” que segue, até talvez a usem para uma auto-avaliação. Ela serve ainda para dar a possibilidade de vislumbrar o que ainda têm pela frente, assim como para que analisem se realmente querem mudar de patamar, o que os espera e qual o “preço da passagem - o pedágio” para tanto.

Fase inicial: O bebê como ser humano com pleno potencial

Os seres humanos nascem espontâneos, bastante sadios psicologicamente, muitos com potencial e aptos a serem líderes criativos e realizados. Ao crescer, vão sendo modelados pela educação familiar, escolar, religiosa, social, e não se dão conta de que estão seguindo uma trajetória comum, com um destino muito parecido. Pensam de maneira semelhante, gostam do que gosta a maioria. Precipitam no vazio a maior parte de seu potencial, perdem sua liberdade, passam pela vida cumprindo apenas o seu ciclo biológico. Isso não significa que sejam infelizes, mas é certo que não são realizados. Alguns são diferentes, respeitam a sua natureza, mantêm as condições básicas para fazê-lo ou estão realmente dispostos a mudar.

Todo o ser humano nasce com potencial e aspiração para ser feliz, se auto-realizar, com um sadio sentimento diádico de posse. Certamente existem diferentes potenciais, mas, como são poucos os que conseguem utilizá-lo medianamente, basta corresponder pelo menos um pouco às nossas naturais possibilidades, que a vida com certeza será plena de satisfação. Na infância a decisão infelizmente não está em nossas mãos. Até cerca de dez anos, dependemos de como os adultos aos quais somos confiados nos constroem. Se a pessoa faz sua formação em um ambiente sadio, interagindo com adultos felizes, sadiamente egoístas, que buscam a auto-realização, facilmente consegue se estruturar em nível pessoal e social e ser um vencedor, independente do significado que a pessoa der a esta palavra.

O que normalmente acontece com as crianças é virarem propriedade, instrumento de disputa, compensação de culpas e frustrações, ou seja, faz-se uma profunda “lavagem cerebral” nelas e se as transforma em "ovelhas". Insere-se um programa alieno as suas aspirações de natureza. A partir dos dez anos, aqueles que nasceram com um potencial maior ou saem de casa ou conseguem relativizar o adestramento ao qual estão submetidos, criam possibilidades bem maiores de se realizarem. Ainda existem os que aparentemente mais sofrem ou perdem, por serem abandonados, ficarem órfãos, a empresa da família ir à falência ou algo assim. Serão estes os mais preparados para a vida e seu nível de exigência, e no fim, os mais felizes, na medida que busquem realizar pelo menos parte do seu potencial.

Fase da mediocrização -- o esforço para nos tornar "ovelhas"

A família tradicional, a escola, a igreja, a mídia, a sociedade e as universidades estão voltadas a formar ingênuas "ovelhas" ou, na melhor das hipóteses, pastores. Isso não basta. Precisamos mais do que pastores, pois estes apenas cumprem seu ciclo biológico, enquanto os vira-latas cuidam do seu rebanho. Somos educados pelo medo, para o medo e por pessoas medrosas. Somos estruturados por aqueles que não querem correr riscos para não se machucar, que, por medo de perder, se omitem no ganhar e com isso nos alijam do grande jogo da vida. Justamente então somos atirados em um cassino, em um ambiente com jogos de azar, quando poderia ser muito diferente, pois poderíamos ter nas nossas mãos a carta vencedora para não depender de "sorte" ou "azar". Poderíamos fazer as grandes apostas da vida, que é apostar em nós mesmos, e pelo menos tentar ter a nossa vida em nossas mãos.

As "ovelhas", no ambiente empresarial, ao longo da história da humanidade, sempre na opção de se manter em um rebanho, hoje em dia, são desfrutadas positivamente pela empresa, que se preocupa em mantê-las, ou negativamente pelo sindicato, que as usa como massa de manobra, pois não se responsabiliza, nem de longe, por elas, como um empresário o faz. Na empresa são tosadas, no movimento sindical viram churrasco... Em todo o caso sempre servem a outros.

No ambiente do exercício do poder empresarial não há espaço para "ovelhas", lá elas se machucarão. Se o objetivo da pessoa é não correr riscos, não “ter de se preocupar”, ela não deve sair desse patamar, sabendo, no entanto, que, se usar sua inteligência e capacidade para fugir das preocupações, nunca deixará de ser pobre e ... preocupada com seu futuro, e, pior, colocando-o na mão de outros que têm muito mais coisas com que se preocupar do que a tranqüilidade de um medroso que não quer se responsabilizar pela sua ambição nem por si mesmo.

A vida das "ovelhas" é insossa, pois não querem correr riscos, não se disponibilizam ao que dá tempero e sabor a ela, que são as aventuras. Sua expectativa maior será poder passar pela vida sem ter de mendigar. No entanto, nem isso é garantido, pois cada vez mais se exigirá da pessoa que ela se responsabilize por si enquanto viver. Elas, deparando-se com este livro, ao folheá-lo, baseado em duas ou três passagens, irão se horrorizar e jamais analisá-lo com profundidade.

A passagem de saída desse patamar é uma das mais caras, pois significa conseguir relativizar a maioria das coisas mais importantes e sagradas para o ser humano comum. Por isso a humanidade é constituída em sua grande maioria por "ovelhas".

A passagem para o próximo patamar está em se independizar; quanto mais cedo melhor. O custo é alto, pois significa abrir mão de um aparente conforto, comodidade e de uma falsa segurança e proteção.

O ser humano faz questão de negar, trair e contrariar a possibilidade e apelo do seu potencial intrínseco e sempre existente. O patamar “ovelha” é aquele em que mais deve ser trabalhada a responsabilização da pessoa por si, já que nos outros começa a haver pelo menos a suspeita de que é ela própria que deve cuidar de si, e não exigir que outros façam isso por ela. Essa talvez seja a especial dificuldade a ser enfrentada por aqueles que se disponham a querer sair da condição de "ovelhas", pois têm expectativas irracionais, querem que a solução caia do céu, que alguém a providencie para eles. Quando a oportunidade ainda lhes cai no colo fazem questão de fugir dela, pois estão tão "programados" para não correr riscos, para não tentarem ser felizes, que, jogam-na fora, pois não podem se permitir isso, seria "pecado". Tanto que há organizações que inclusive afirmam com convicção, que “é mais fácil um camelo passar pelo olho de uma agulha que um rico entrar no céu”. Mesmo se tratando de uma tradução, ou interpretação errada, ela tem sido usada na formação do rebanho de …ovelhas.

Por se tratar de algo tão óbvio e evidente, além do fato concreto que somos empurrados inexoravelmente nessa direção por uma questão de educação e condicionamento social, com efeitos claramente previsíveis, a etapa "ovelha" não será abordada mais ainda.


A evolução para o patamar “vira-lata” e guardião das "ovelhas"

Alguns integrantes do patamar “mais popular” conseguem mudar, se superam e se transformam naquilo que na analogia convencionei chamar de “vira-lata”. As empresas muitas vezes tratam com enorme desrespeito seus funcionários ao não se darem conta ou não aceitarem a opção da pessoa. Por um lado as desconsideram, ao exigir que a pessoa corresponda ao seu potencial promovendo-as, quando ela, por suas razões, não quer deixar de ser "ovelha". Por outro, ao não criarem condições e usufruírem disso, para que aqueles poucos, que ainda se dão conta que estão subutilizados, consigam dar vazão a seu potencial.

A passagem para o este nível se encontra no esforço pessoal de superação de expectativas e armadilhas auto impostas. Aqueles que querem apenas cumprir suas tarefas e sair a tempo da empresa para assistir à “novela das sete” obviamente não conseguirão. Como nessa etapa as pessoas começam a vislumbrar o bônus, têm mais disponibilidade de arcar com o ônus. Basta se preparar, permanecer atento às oportunidades e aproveitá-las. Todos aqueles que não se resignam em esperar “ganhar na loteria”, desde que não precisem investir na compra do bilhete, acabam mudando de patamar. Normalmente os limites que a pessoa se coloca e as desculpas que tem para não fazer, são básicas e superáveis pela dedicação, perseverança e disciplina. Não são grandes os desafios. Desculpas para não fazer sempre existirão, mas facilmente demonstráveis como tais. O pedágio é suportar os testes que lhe são colocados fazendo-o optar entre algo funcional para ele ou conveniente para outros. Deve aprender a discernir entre o jogo que lhe convém e as armadilhas do falso conforto e segurança onde na verdade são apenas usufruídos.

O erro mais freqüente que dificulta as pessoas desse patamar a mudar, é não optarem por si, fazerem as coisas para outros ou por outros, principalmente a família ou o sindicato, tornando-se líderes negativos.


O patamar “cachorro de raça”

Desde que alguns conceitos como, por exemplo, a família e seu papel na vida de um ser humano não estejam servindo como instrumento de chantagem emocional e bloqueio da inteligência e da formalização da ambição, o patamar “cachorro de raça” é também um belo trampolim. Enquanto o “vira-lata” se preocupa com o crescimento de suas habilidades, a passagem desse nível para o próximo, o do “lobo”, se encontra no desenvolvimento pessoal, no autoconhecimento e na autenticação da pessoa.

Nem sempre se encontra a necessária disponibilidade de buscar alguém como orientador, modelo ou mentor. Os mais superficiais e resistentes à mudança tendem a parar por aqui, enquanto se lamentam da falta de sorte, da idade, das oportunidades não aproveitadas, da vida, do chefe e da empresa. Tornam-se fracassados crônicos, ou seja, frustrados. Manifestam isso pelo tipo de ambiente que freqüentam ou partido político que apóiam. Este, quanto mais contra aquele que realiza ou realizou, mais simpático para eles, pois assim podem dar vazão a sua frustração combatendo aqueles que fazem ou fizeram por si e assim são invejados.

Nessa fase começa-se a diferenciar os que optaram em querer ser homens e mulheres, e não permanecer o resto da vida como meninos e meninas. Para os que percebem a diferença, a opção entre uma possível vida pobre e a ocupação com riscos, que também se pode chamar de preocupação, não mais existe dúvidas. Sabem que a única maneira de derrotar o sistema que os procura mediocrizar é apostar em si mesmos quantias que valham a pena serem ganhas, mesmo podendo se machucar. Não precisa nem deve ser algo suicida, mas que demonstre que existe a disponibilidade de aceitar que a pessoa, para ganhar, sabe que pode se machucar, ou a que precisa comprar o “bilhete de loteria”. Enquanto aprende o “como fazer”, age de maneira incremental, cada vez ousando um pouco mais.

Os que fazem um mergulho dentro de si, que são honestos consigo mesmos, que se exigem e principalmente não sofrem de um dos maiores males do ser humano, que é a preguiça mental, mudam de patamar. A preguiça mental é uma das explicações para o sucesso da tevê, pois ao ver a imagem não é necessário nem mesmo usar a imaginação para acompanhar a cena, além de ela possibilitar o uso e a alimentação do lado negativo e doente das pessoas ao lhes proporcionar enxergar e não só imaginar a desgraça alheia.

A passagem para mudar de patamar é o amadurecimento e o exercício pleno do egoísmo sadio, sabendo o que é isso na prática para não se trair. O pedágio é suportar a pressão do contexto, do seu ambiente em relação as suas opções e as “condenações” sociais que ele terá por ser como é. Principais erros: escolher o seu modelo, o seu orientador de forma complexual ou valorizar mais a opinião dos outros quanto a sua postura do que o que realmente traz resultados para ele. Ser herói dos outros, pode ser um parâmetro, mas desde que esses outros acrescentem vida, evolução e não apenas expectativa de assistencialismo. Mais uma vez o que define a validade, tanto do seu grupo como do orientador, são os resultados concretos.

O patamar do “lobo”

“Lobos” são todos aqueles que começam a ter sua vida e seu destino em suas mãos. Apesar de eventualmente fazerem parte de uma “matilha”, sabem que podem e devem almejar construir algo seu, mesmo que em parceria com outros.

Essa fase na vida de um ser humano proporciona grandes oportunidades, mas também as piores armadilhas por não haver sido completada a sua independência. A passagem está em não perder a humildade, por mais que tudo pareça estar sob controle. Quanto mais as coisas fluírem positivamente, maior deverá ser a atenção. Um dos erros mais terríveis que pode cometer é trair alguém maior do que ele, como derrubar o seu chefe, usando meios escusos para isso em vez de superá-lo ou proporcionar a evolução conjunta. Jamais terá paz e assim não conseguirá usufruir, tendendo a regredir.

A mudança de patamar se dará se o nível de coerência, consigo e com os outros, for mantido, o que normalmente trás algumas armadilhas, que podem ser superadas com certa facilidade, pois o jogo começa a ficar cada vez mais claro. Sugiro em todo o caso, reler a parte do livro em que descrevo a diferença entre lealdade e fidelidade, pois neste ponto tenho visto ocorrerem os principais erros, assim como a história do galo bom e a do “marvado”. O pedágio é conseguir resistir aos ataques de onipotência infantil e a tentação de trair algum parceiro, para se independizar de maneira incoerente, desonesta. Não se precisa disto, pois começa-se a ser um jogador cada vez mais habilidoso. Mas também, as armadilhas são cada vez mais refinadas…

Capobianco – o “lobo” com sua própria “matilha”

Para chegar a ser um “chefe de matilha”, da mesma forma como é exigido na vida real desses animais, muitas provas e lutas precisam ser superadas e vencidas. Dificilmente será só com a ajuda direta de alguém; um grande também se faz de maneira solitária, preferencialmente interagindo com um grande mentor. Mesmo herdeiros de grandes impérios, por uma questão de consolidação da sua personalidade, da construção da autoconfiança, precisam vencer essa exigente etapa.

O erro básico que podem cometer é lutar nào pelo prazer de fazê-lo, mas por perversão. Por exemplo, na natureza não é aceito matar pelo prazer de matar, mas apenas para sobreviver ou lealmente buscar uma mudança de patamar. Outro erro que se tende a cometer é perder o foco do que é e do que não é importante. O parâmetro de aferição são os resultados que se obtêm e o nível das tentações que aparecem como oportunidade, mas também para induzir ao erro. Quanto maiores, tanto umas como as outras, mais correto está sendo a estratégia, pois se está conseguindo diferenciar oportunidades de armadilhas, através dos resultados obtidos. Eles devem comprovar isso. Resultado no contexto deste livro significa, além de alcançar objetivos concretos, incluindo os mensuráveis, qual o poder que está sendo exercido. Em última análise, por uma questão de opção da humanidade, em medir as suas relações profissionais, seu crescimento pelo quanto valem, um dos itens importantes a verificar é o crescimento da independência econômica e financeira.

Os benefícios são compensadores, o bônus começa a ser proporcionalmente maior do que o ônus. Diferente do que nos outros patamares. Essa é uma das razões pelas quais o empresário é invejado pelos demais mortais, por aqueles que ficaram ao longo da estrada, por não quererem pagar o preço exigido dos que merecem usufruir, dos que pagaram seu karma, se superaram, dos que abriram mão de tantas e tantas coisas ao longo da sua vida.

Uma vez chegado lá, para não ser superado por um jovem, forte e ágil competidor, somente se houver uma constante evolução no seu patamar de poder e o objetivo for o de se tornar cada vez mais, ou seja, uma constante preparação para o que neste livro, designamos por sucessão! O pedágio é manter o seu processo de evolução e crescimento. O erro é dizer basta, já cheguei onde queria ou fui muito mais longe do que imaginava!

Penúltima etapa de evolução -- ser um “leão” -- rei da selva

Para saber se essa etapa foi atingida, deve ser analisado o grau de liberdade que a pessoa atingiu, e não apenas nos aspectos econômico e financeiro, o nível de prazer que usufrui e poder que exerce. Caso ela tenha a sua vida, seu destino em suas mãos, o que inclui sua vida afetiva, sua relação com a família, tiver sucesso naquilo que lhe interessa, ela “chegou lá”. A partir de então deve administrar constantemente o ter para SER cada vez mais, pois eles estão relacionados.

Muitas vezes as pessoas neste patamar, são discretos, até para não perder sua liberdade, mas sempre serão as grandes mentes por trás de cada empresa ou país bem-sucedido.

O papel que hoje em dia exercem, os que convencionei chamar de “leões”, antigamente era cumprido pelos aristocratas. Se estes eram inteligentes, respeitados e bem tratados, seu país ia bem, pois eles proviam para todos. Ainda hoje uma aristocracia funcional é condição de progresso e evolução social. Se pertencer a ela uma vez era mais uma questão de consangüinidade e preparação por grandes mentores, atualmente é de maturidade e de uso adequado da inteligência. Quando um país trata bem sua “aristocracia”, se ela está bem, o povo está bem, todos se beneficiam. Assim como numa empresa, quando seu líder está bem, a instituição também estará. Se a empresa vai mal, é porque seu líder está mal e qualquer coisa diferente disso não passa de fuga da responsabilidade, não passa de uma reles desculpa.

Por poder se proporcionar, meritóriamente, muito prazer, são muito invejados. Por isso devem ser discretos. Quanto mais sadia for a sociedade em que estão inseridos, ao invés de invejá-los, serão admirados e usados como modelos. Não se deve esquecer que, para obter ou manter o direito de usufruir, muito se exigiu e exigirá deles, além do que, ao usufruírem, representam bem-estar para muitos. E o prazer é um dos itens que precisam, para regenerarem seu quantum energético, se manterem aptos e disponíveis para exercer o seu papel.

A passagem para o próximo patamar é ter a liberdade e o desejo para fazer apenas aquilo que dá prazer e sabedoria, o que se manifesta através de uma necessidade de buscar um entendimento da vida, com o mesmo grau de interesse, prazer e profundidade que os grandes pensadores da humanidade tiveram ao querer responder às questões filosóficas básicas. Deve poder e querer saber por que valeu e ainda vale a pena viver, fazer e realizar; deve querer descobrir o nível transcendental dos seres humanos.

Principais erros: é achar que sabe tudo, que não precisa de eventuais mentores para mudar de patamar, ou não considerar que exista algo ainda por superar e dizer basta, não quero mais. O pedágio é conseguir se desenvolver em algo que até esta etapa foi possivelmente apenas intuído – apenas uma percepção. Deve saber racionalmente, com clareza, porque conseguiu chegar neste ponto, ou seja, realmente ter domínio sobre si mesmo.