Vinde a mim o cliente
Muitas pessoas, mas mais intensamente as com especial inteligência ou habilidade técnica, tem verdadeiro pavor de ter que vender e principalmente ter que “se vender". Esse fenômeno é potencializado pelo que Nelson Rodrigues identificou no brasileiro em geral: sofre do “complexo de vira lata”, mesmo sendo lobo ou leão! Os mais sadios ainda tentam compensar essa postura com a filosofia: "vou fazer tão bem feito, que alguém já há de vir e comprar o que faço”. Isto até funcionou por um bom tempo. Hoje, seja pela globalização ou pelo fenômeno sociológico que for, não basta. Precisa-se ir ao mercado imbuído da necessária vontade de vender/vencer.
Essa postura de subserviência, de expectativa que um outro venha e “nos compre”, esse bloqueio interno, tem uma origem razoavelmente comum. Normalmente as pessoas que mais dão vazão ao seu potencial de fazer, criar, etc., e menos a de vender, são as que foram os filhos prediletos das suas mães. Prediletos mas usados como compensação, para suprir alguma necessidade imatura dela.
Principalmente quando se é um destes, se está acostumado a ser servido. E pela mãe, a mulher mais importante do mundo, pelo menos para aquela pessoa! Como reciprocidade, tende-se a fazer bem feito aquilo que é prioritário para quem nos ama especialmente. Isso vale inclusive quando existe desvio de conduta. Muitos deles, pelo menos dos que eu pesquisei, eram apenas uma correspondência à um desejo, inconsciente que fosse, de uma mãe! Às vezes a figura dela pode ser substituída por uma professora, uma avó ou até uma madrinha. Mas sempre existe.
Uma vez que se está acostumado a ser servido, quando se deve servir alguém que não nos ama, como é o mercado, principalmente no início, nos sentimos incapazes, pequenos, traídos. Não é nenhum acaso, que muitos empresários, bem sucedidos e não só economica-mente, numa certa época da sua vida terem sido garçons ou vendedores.
A grande vantagem, quando a pessoa se supera (o que é algo interno, pessoal, que ninguém vai fazer isso por ela!), quando treina, repete, vai de novo, não desiste nem na enésima vez em que não é bem sucedida, num certo momento, “vira a chave”. Todos os que não desistem, apesar das armadilhas que eles mesmos se armam, que superam o bloqueio, se tornam vendedores/vencedores! A megera horrível e feia, como percebem o mercado, vai se transformando numa fantástica mulher, cada vez mais disponível, atraente e com melhores retornos.
Onde está a importância disso tudo? Ser empresário é uma arte superior. Mesmo que a pessoa seja empresário de si mesmo, como são os médicos, os agricultores, por exemplo, ela deu vazão, apenas parcial muitas vezes, ao potencial com o qual os todos os seres humanos nascem. Essa arte é tão bela e qualificada, como é a dos grandes pintores, músicos, etc., com uma característica a mais: ela é o braço operador da Providência Divina, pois o empresário se torna oportunidade e fonte de crescimento de outros e não apenas dos empregados diretos. Por exemplo, sem empresas, não existem impostos que sustentam tantas e tantas outras pessoas.
Qual a atividade mais nobre, mais difícil na superior arte de empresariar? Vender! Portanto, deve-se buscar a venda sempre. Sem jamais se humilhar, pois afinal não se é nenhum vira lata que implora por comida. Vender engloba desde conseguir que nos recebam e deixem demostrar o nosso produto ou serviço, até mobilizar outros com idéias e ideais. E uma vez recebidos, ou na liderança de algo, se não comprarem ou se não nos seguirem, isso significa que é preciso se aprimorar mais ainda. A chave ainda não está “virada”.
Certamente vale a pena, persistir, pois é enorme o crescimento econômico, social e especialmente pessoal (o que tem a ver com felicidade…), que aguarda os que romperem o bloqueio. Olhando depois para trás se verá que não foi tão difícil assim.
O que fazer? Basta se lembrar do que diz uma versão melhorada de um velho provérbio: para uma grande caminhada é necessário dar tantos primeiros passos quantos forem necessários…
Harry Fockink harry@fockink.com.br
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quarta-feira, 11 de abril de 2007
Mamãe, Cadê Você?
Mamãe, Cadê Você?
Queira você ou não, o relacionamento que teve ou tem com sua mãe define positiva ou negativamente muito da maneira como empreende hoje, independente da sua idade, por isso talvez seja necessário decidir “romper o cordão umbilical”.
Por exemplo, muitas pessoas chegam à idade adulta com um grande pavor de “ter que vender” e, pior ainda, “ter que SE vender”. Algo que deveria ser natural é encarado como uma terrível obrigação. Apesar de aparentemente ajudarem, a inteligência e habilidade técnica, muitas vezes só complicam mais ainda esta situação.
Inúmeros são os que tentam fugir do “monstro” da venda com a filosofia: “vou fazer tão bem feito, que alguém há de vir comprar o que faço” e “quanto melhor fizer, mais compradores virão!”.
Por um bom tempo, isto funcionou, mas atualmente não basta mais, seja devido à globalização ou a outro fenômeno econômico ou sociológico qualquer. Hoje, mais do nunca, é preciso, é questão de sobrevivência ir ao mercado repleto da vontade de vender/vencer.
É difícil? Na história individual de cada empreendedor, é razoavelmente fácil determinar a origem esse bloqueio interno, dessa postura de subserviência, que nos coloca na perene expectativa passiva de que um outro venha e “nos compre”, uma postura semelhante a dos empregados que afirmam que a empresa “os contratou” agora deve pagá-los, como se isso fosse uma relação unilateral, ou pior ainda a postura de funcionários que por terem passado num concurso, não se julgam obrigados a dar nada em troca pelo que recebem no final do mês.
Normalmente as pessoas que mais dão vazão ao potencial de fazer, criar, etc., e menos àquele de vender, são as que foram os filhos prediletos das suas mães. Eles foram acostumados a ser servidos, em troca de pouco ou quase nada, pela “mamãe, a mulher mais importante do mundo”! Em troca de todo aquele serviço de 1a. Classe, tendem a fazer bem feito somente aquilo que é prioritário para a “mamãe”, não precisam mostrar para mais ninguém. Os dois se bastam...
Neste caso será a mãe a definir as prioridades, que poderão ser “deixar o quarto arrumado”, ou seja, basta ser organizado, “tirar boas notas no colégio”, ser dedicado, “não falar palavrão”, ser educado, “se comportar direitinho”, ser gentil, etc. Enfim, “basta que se faça as coisas bem feitas para ser aplaudido, amado”, pensa quem, possivelmente, não terá grande futuro como empreendedor, mesmo apenas em formação.
Às vezes a figura da mãe pode ser substituída por uma professora, uma avó, uma madrinha, mas sempre existe. Pode até mesmo ser um homem, que faz o papel da “mãe que serve” e define o que é dado em troca pelo serviço.
Uma vez que alguém se acostuma a ser servido, é duro quando a situação se reverte e ele deve servir alguém que não necessariamente o ama, como é o mercado. De certa forma devemos assumir um pouco o papel da “mãe que serve” e o mercado é o filho que precisa ser conquistado com persistência para um dia “retribuir todo amor que lhe foi dado”. Ai sim numa relação sadia e não como a que muitas vezes é estabelecida entre mãe e filho.
No início, pela falta de experiência e muitos maus hábitos que levam à passividade, nos sentimos incapazes, pequenos, traídos. Este é o momento em que muitos choram e até gritam interiormente: “mamãe, cadê você?”. E o silêncio frio e cortante é a única resposta recebida.
Não é nenhum acaso, que muitos empresários bem sucedidos, não só financeiramente, em uma certa época preparatória de suas vidas foram, por duras contingências, garçons ou vendedores. Ou não tiveram mães ou estas foram duronas, como é o caso do bilionário Richard Branson, da Virgin Records e Airlines, como ele mesmo conta em “Perdendo Minha Virgindade”.
A grande vantagem da pessoa que se supera, algo que é uma experiência interior, pessoal, única e exclusiva, seja por que forma for, é que quando se acostuma a ir além daquele momento em que “chorava silenciosamente ou ficava aos berros, porque a mamãe não me ouviu!”, ela treina, repete, vai de novo, não desiste nem na enésima vez em que não é bem sucedida, até que, em um determinado momento, o “cordão umbilical se rompe” e o mercado passa a lhe corresponder positivamente.
Todos os que não desistem, que superam seus próprios bloqueios, apesar das armadilhas que se auto-impõem, tornam-se vendedores/vencedores! Eles conseguem conquistar o mercado. Aquele filho indiferente e meio autista se transforma em outro extremamente atencioso, carinhoso, amoroso, cada vez mais disponível e com melhores retornos.
Onde está a importância disso tudo?
Ser empreendedor, com condições para evoluir a empresário é uma arte superior. Mesmo que a pessoa seja empresária de si mesma, como um médico, advogado ou agricultor, quando ela dá alguma vazão, muitas vezes ínfima, parcial, ao grande potencial com o qual todos os seres humanos nascem. Empreender, essa arte é tão bela e qualificada, quanto a dos grandes mestres da pintura, música, escultura, etc., mas com uma característica a mais: ela é o braço operador da Providência Divina.
Todo empresário que não desiste acaba se tornando oportunidade e fonte de crescimento para muitas pessoas. Sem empresários não existem “empregos”. Esta é uma promessa que todos os governos fazem, mas que só os empresários podem cumprir. E não são apenas os empregados diretos que se beneficiam da vitória daquele empresário que se superou. Sem empresas, não há impostos, que sustentam tantas e tantas outras pessoas, inclusive aquelas que compõem o próprio governo que promete os empregos.
Qual é a atividade mais nobre, mais difícil e mais importante, na superior arte de empresariar? Vender!
Deve-se buscar a venda sempre, com humildade, mas sem se humilhar, pois afinal não se é nenhum “vira-lata que implora por comida”, como Nelson Rodrigues diria.
Vender engloba desde conseguir que nos recebam e assistam demonstrar o nosso produto ou serviço, até liderar outros com idéias e ideais. Uma vez recebidos, se não comprarem ou não nos seguirem, isso significa simplesmente que é preciso se aprimorar mais ainda. O “filho” ainda precisa ser conquistado. Ou se quisermos, a “mãe mercado” ainda é uma megera, uma madrasta. A lição de casa, o quarto ainda não está bem arrumado!
Certamente vale a pena persistir, como uma mãe que quer conquistar o amor de seu filho. Aliás, acho que esta é uma das razões porque as mulheres tem sido cada vez mais bem sucedidas como empreendedoras. Está na hora de todos nós aprendermos a ser “mães” e deixarmos de ser “filhos que devem ser conquistados”. Até para honrarmos aquela pessoa que tanto nos amou e por excesso de amor, tanto nos prejudica, algo que se já frustra a nós, imagina a ela. Ao proceder afetivamente como o fez ela afinal, queria a nossa felicidade. E nada melhor do que fechar vendas para isso!
O crescimento que aguarda os que rompem o “cordão” é enorme, seja do ponto de vista econômico e social, mas especialmente do pessoal (felicidade!).
Depois, ao olhar para trás, poderá se ver que não foi tão difícil assim. Muito já se sabia sobre “como servir” ao ter observado por vários anos aquela “mãe que servia” quando ainda éramos crianças.
O que fazer?
Basta parar de chamar a “mamãe!” e se lembrar de assumir a postura que ela teria diante do mercado que você deseja conquistar.
Harry Fockink harry@fockink.com.br
Queira você ou não, o relacionamento que teve ou tem com sua mãe define positiva ou negativamente muito da maneira como empreende hoje, independente da sua idade, por isso talvez seja necessário decidir “romper o cordão umbilical”.
Por exemplo, muitas pessoas chegam à idade adulta com um grande pavor de “ter que vender” e, pior ainda, “ter que SE vender”. Algo que deveria ser natural é encarado como uma terrível obrigação. Apesar de aparentemente ajudarem, a inteligência e habilidade técnica, muitas vezes só complicam mais ainda esta situação.
Inúmeros são os que tentam fugir do “monstro” da venda com a filosofia: “vou fazer tão bem feito, que alguém há de vir comprar o que faço” e “quanto melhor fizer, mais compradores virão!”.
Por um bom tempo, isto funcionou, mas atualmente não basta mais, seja devido à globalização ou a outro fenômeno econômico ou sociológico qualquer. Hoje, mais do nunca, é preciso, é questão de sobrevivência ir ao mercado repleto da vontade de vender/vencer.
É difícil? Na história individual de cada empreendedor, é razoavelmente fácil determinar a origem esse bloqueio interno, dessa postura de subserviência, que nos coloca na perene expectativa passiva de que um outro venha e “nos compre”, uma postura semelhante a dos empregados que afirmam que a empresa “os contratou” agora deve pagá-los, como se isso fosse uma relação unilateral, ou pior ainda a postura de funcionários que por terem passado num concurso, não se julgam obrigados a dar nada em troca pelo que recebem no final do mês.
Normalmente as pessoas que mais dão vazão ao potencial de fazer, criar, etc., e menos àquele de vender, são as que foram os filhos prediletos das suas mães. Eles foram acostumados a ser servidos, em troca de pouco ou quase nada, pela “mamãe, a mulher mais importante do mundo”! Em troca de todo aquele serviço de 1a. Classe, tendem a fazer bem feito somente aquilo que é prioritário para a “mamãe”, não precisam mostrar para mais ninguém. Os dois se bastam...
Neste caso será a mãe a definir as prioridades, que poderão ser “deixar o quarto arrumado”, ou seja, basta ser organizado, “tirar boas notas no colégio”, ser dedicado, “não falar palavrão”, ser educado, “se comportar direitinho”, ser gentil, etc. Enfim, “basta que se faça as coisas bem feitas para ser aplaudido, amado”, pensa quem, possivelmente, não terá grande futuro como empreendedor, mesmo apenas em formação.
Às vezes a figura da mãe pode ser substituída por uma professora, uma avó, uma madrinha, mas sempre existe. Pode até mesmo ser um homem, que faz o papel da “mãe que serve” e define o que é dado em troca pelo serviço.
Uma vez que alguém se acostuma a ser servido, é duro quando a situação se reverte e ele deve servir alguém que não necessariamente o ama, como é o mercado. De certa forma devemos assumir um pouco o papel da “mãe que serve” e o mercado é o filho que precisa ser conquistado com persistência para um dia “retribuir todo amor que lhe foi dado”. Ai sim numa relação sadia e não como a que muitas vezes é estabelecida entre mãe e filho.
No início, pela falta de experiência e muitos maus hábitos que levam à passividade, nos sentimos incapazes, pequenos, traídos. Este é o momento em que muitos choram e até gritam interiormente: “mamãe, cadê você?”. E o silêncio frio e cortante é a única resposta recebida.
Não é nenhum acaso, que muitos empresários bem sucedidos, não só financeiramente, em uma certa época preparatória de suas vidas foram, por duras contingências, garçons ou vendedores. Ou não tiveram mães ou estas foram duronas, como é o caso do bilionário Richard Branson, da Virgin Records e Airlines, como ele mesmo conta em “Perdendo Minha Virgindade”.
A grande vantagem da pessoa que se supera, algo que é uma experiência interior, pessoal, única e exclusiva, seja por que forma for, é que quando se acostuma a ir além daquele momento em que “chorava silenciosamente ou ficava aos berros, porque a mamãe não me ouviu!”, ela treina, repete, vai de novo, não desiste nem na enésima vez em que não é bem sucedida, até que, em um determinado momento, o “cordão umbilical se rompe” e o mercado passa a lhe corresponder positivamente.
Todos os que não desistem, que superam seus próprios bloqueios, apesar das armadilhas que se auto-impõem, tornam-se vendedores/vencedores! Eles conseguem conquistar o mercado. Aquele filho indiferente e meio autista se transforma em outro extremamente atencioso, carinhoso, amoroso, cada vez mais disponível e com melhores retornos.
Onde está a importância disso tudo?
Ser empreendedor, com condições para evoluir a empresário é uma arte superior. Mesmo que a pessoa seja empresária de si mesma, como um médico, advogado ou agricultor, quando ela dá alguma vazão, muitas vezes ínfima, parcial, ao grande potencial com o qual todos os seres humanos nascem. Empreender, essa arte é tão bela e qualificada, quanto a dos grandes mestres da pintura, música, escultura, etc., mas com uma característica a mais: ela é o braço operador da Providência Divina.
Todo empresário que não desiste acaba se tornando oportunidade e fonte de crescimento para muitas pessoas. Sem empresários não existem “empregos”. Esta é uma promessa que todos os governos fazem, mas que só os empresários podem cumprir. E não são apenas os empregados diretos que se beneficiam da vitória daquele empresário que se superou. Sem empresas, não há impostos, que sustentam tantas e tantas outras pessoas, inclusive aquelas que compõem o próprio governo que promete os empregos.
Qual é a atividade mais nobre, mais difícil e mais importante, na superior arte de empresariar? Vender!
Deve-se buscar a venda sempre, com humildade, mas sem se humilhar, pois afinal não se é nenhum “vira-lata que implora por comida”, como Nelson Rodrigues diria.
Vender engloba desde conseguir que nos recebam e assistam demonstrar o nosso produto ou serviço, até liderar outros com idéias e ideais. Uma vez recebidos, se não comprarem ou não nos seguirem, isso significa simplesmente que é preciso se aprimorar mais ainda. O “filho” ainda precisa ser conquistado. Ou se quisermos, a “mãe mercado” ainda é uma megera, uma madrasta. A lição de casa, o quarto ainda não está bem arrumado!
Certamente vale a pena persistir, como uma mãe que quer conquistar o amor de seu filho. Aliás, acho que esta é uma das razões porque as mulheres tem sido cada vez mais bem sucedidas como empreendedoras. Está na hora de todos nós aprendermos a ser “mães” e deixarmos de ser “filhos que devem ser conquistados”. Até para honrarmos aquela pessoa que tanto nos amou e por excesso de amor, tanto nos prejudica, algo que se já frustra a nós, imagina a ela. Ao proceder afetivamente como o fez ela afinal, queria a nossa felicidade. E nada melhor do que fechar vendas para isso!
O crescimento que aguarda os que rompem o “cordão” é enorme, seja do ponto de vista econômico e social, mas especialmente do pessoal (felicidade!).
Depois, ao olhar para trás, poderá se ver que não foi tão difícil assim. Muito já se sabia sobre “como servir” ao ter observado por vários anos aquela “mãe que servia” quando ainda éramos crianças.
O que fazer?
Basta parar de chamar a “mamãe!” e se lembrar de assumir a postura que ela teria diante do mercado que você deseja conquistar.
Harry Fockink harry@fockink.com.br
As sete virtudes e os sete pecados capitais no ambiente empresarial brasileiro.
As sete virtudes e os sete pecados capitais no ambiente empresarial brasileiro.
Segundo a Bíblia, os Sete Pecados Capitais são gula, avareza, luxúria, inveja, ira, preguiça e soberba. Comportamentos que nascem sadios, mas por serem praticadas em excesso ou de forma obsessiva se voltam contra a pessoa. Assim como ambição desmedida vira ganância, hedonismo se transforma em gula, austeridade financeira e respeito à psicologia do dinheiro em avareza, excitação em luxuria, autoconfiança em soberba, admiração em inveja, o importante ócio criativo em preguiça e a inconformidade em ira. O limite que separa um e outro pode ser tênue, mas é claro. A pessoa, desde que tenha um mínimo de maturidade ou de autoconhecimento, sabe quando o ultrapassa.
E no ambiente empresarial brasileiro?
Os sete pecados são uma forma do inconsciente coletivo brasileiro se manifestar. São comportamentos inadequados gerados a partir de crenças ou posturas incoerentes que adquirimos por viver no Brasil. Não incluem eventuais desvios de caráter, como desonestidade e falta de ética, entre outros.
Da mesma forma como os pecados originais impedem o acesso ao Reino dos Céus, os do ambiente empresarial bloqueiam ou dificultam o caminho para participar do reino dos grandes jogos e competições. Quando a participação é permitida, o campeonato, os jogos, os desafios, os outros jogadores e especialmente os prêmios, isso quando existem, são para amadores ou somos o trouxa da rodada. As exceções, que felizmente ocorrem cada vez mais, apenas confirmam a regra.
Baseados em anos de observação e pesquisas, coletei os principais pecados:
1 – Complexo de inferioridade ou “de vira-latas”, segundo Nelson Rodrigues. O pior dos pecados, mas o mais fácil de curar. Basta parar no caminho entre a subserviência, que é diferente da sadia humildade e a arrogância, a soberba – olha ela ai outra vez. Passamos direto do comportamento vira-lata para o de elefante em loja de cristais. Antes, um pouco antes, está o limite. O ponto ótimo se encontra quando passamos pelo estágio de homo sapiens. Mantendo-nos nele, não sendo subservientes nem arrogantes, somos altamente funcionais!
Nossos antepassados portugueses geraram esse complexo, reforçado pelo tipo de imigrante de outras etnias que recebemos e as circunstâncias da sua vinda.
Como testar se sofremos de “vira-latismo”? É o caso se, especialmente ao negociar, falamos “portunhol” com os argentinos, ou inglês “sambônico” com americanos. Se for algo importante devemos contratar um tradutor e se não for, eles que falem nossa língua! Quando se tenta falar a língua do outro, sem a dominar como se fosse nossa, proporciona-se a passagem psicológica que torna o interlocutor superior a nós com todas as implicações conseqüentes.
2 – Vergonha de vender. O pecado mais caro, o que mais nos onera. Países minúsculos como a Holanda ou poderosos como os EUA tem a postura comercial na raiz do seu sucesso. A vergonha se origina numa combinação do complexo de vira-latas dos lusos com a crença dos italianos e alemães, entre outros, de que “basta fazer bem feito que alguém há de comprar”. Consideravam vergonhoso ter que vender, pois isto significava que estavam fazendo algo ruim, que ninguém desejava. No auge da imigração, quando o nosso inconsciente coletivo empresarial foi formado e a demanda era maior do que a oferta, isso até podia ser verdade. Não atualmente, em que pela primeira vez na história da humanidade, temos excesso de oferta de praticamente tudo.
3 – Vergonha do lucro, de ganhar, ou melhor, fazer dinheiro. Não é mais fácil um camelo passar pelo olho da agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus? Mesmo que haja uma falha na tradução e o animal nada tenha a ver com a história, a cultura do voto de pobreza é responsável por esse pecado. Como uma sadia formalização da inteligência, precisamos cultuar a riqueza, em todos os seus aspectos!
4 – Concursismo - neologismo adequado para o Brasil, onde o primado social pertence à tecnoburocracia estatal. Isso leva muitos “quererem passar num concurso”. Infelizmente boa parte dos melhores o consegue. Depois são coniventes com sua mediocrização. Esse pecado também se manifesta através da péssima forma como o Estado se relaciona com o empresário. E desde o tempo do Império. Basta ver as atrocidades cometidas com o Visconde de Mauá. Este comportamento se origina no “bacharelismo” que imperava já antes da corte portuguesa chegar ao Brasil. Os comerciantes não eram bem-vindos nos salões do império. É óbvio que havia duas origens: a religião e os proprietários rurais
Este comportamento também reforça o ódio que alguns segmentos da sociedade têm pelo empresário. Segundo a ONU, entre as milhares de profissões catalogadas, a de empresário é única que gera riqueza. As demais vivem dele. O empresário deve ser encarado como o braço operador da providência divina. Quando ele está bem, muitos estão. Inclusive os que vivem dos impostos que paga. Quando está mal, todos estão ou ficarão. Nos países ricos, o referencial, o modelo, a figura mais admirada e imitada é o empresário.
5 – Indisciplina, predisposição para desistir, falta de foco, ausência da constância de propósito, da convicção, do monitoramento sistemático e baixa capacidade de superar adversidades. Esperamos e quereremos que as coisas caiam do céu, e no colo de preferência, para não dar muito trabalho.
Bastaram, aos chamados Tigres Asiáticos, a eliminação desse pecado, transformando idéias em ações concretas, monitorando o processo, estimulando o aproveitamento de oportunidades para que ficassem ricos.
6 – Unilateralidade, ser contra o outro, deslealdade, “descombinar” ao invés de recombinar, egocentrismo - uma distorção do egoísmo, algo sadio que nos auto-responsabiliza e faz crescer. Este pecado também poderia ser chamado de “Lei de Gerson”. Ele que não foi gerado pelo anúncio de um cigarro - este apenas explicitou uma crença que faz parte do nosso inconsciente coletivo e por isso marcou tanto. Outra forma dele se manifestar ocorre quando compramos brigas que não nos dizem respeito, ou nos tornamos marionetes em jogo de interesse que não nos beneficia - algo freqüente no ambiente político, sindical e dos “ecochatos”.
7 – Identificação com perdedores - mais uma manifestação de imaturidade, algo bastante presente em todos os demais pecados, mas nesse ainda tem o agravante de reforçar o assistencialismo que mediocriza a todos os envolvidos. É uma manifestação genuína e tipicamente brasileira, que poucas vezes encontrei em outras culturas. Origina-se na combinação de todas as crenças negativas interagindo entre si e se reforçando mutuamente.
Para checar, individualmente ou num plenário bastam cinco minutos de um jogo de futebol entre dois clubes desconhecidos do público presente. Nos países ricos, a maioria dos presentes automaticamente torce pelo que estiver vencendo. No Brasil, dependendo de onde for o teste, ocorre o contrário. Quanto maior o desenvolvimento, mais torcem pelo vencedor. Isso explica o baixo desempenho de Pelotas, por exemplo, que tem em excesso tudo o que se diz que falta para o Brasil “dar certo”, mas há décadas encontra-se num enorme marasmo. Apesar de ter cultura, boa localização, proximidade com porto, duas universidades, escolas técnicas, etc. E o que dizer de Cuba?
Livramo-nos de mais um pecado ficando atentos às nossas reações checando, se estamos admirando ou invejando, se “levamos vantagem” apenas para ser contra o outro, unilateralmente, ou se estamos sendo a nosso favor de forma coerente.
De certa forma, todos os pecados estão inter-relacionados, um reforçando o outro, mas a identificação com perdedores realimenta muito o complexo de vira-latas e vice-versa. Por outro lado, a redução de um ajuda na eliminação do outro.
Conseqüências negativas dos Sete Pecados – induz, de maneira muito forte, que se use negativamente a nossa imensa capacidade criativa e de encontrar alternativas e possibilidades. Por exemplo, infelizmente, o Brasil possui um grande número e alguns dos maiores “especialistas" em fraudes digitais do mundo, os “crackers”. São indivíduos com conhecimentos técnicos às vezes profundos e outras vezes nem tanto, mas que são capazes de invadir sistemas com diversos recursos "anti alguma coisa", como os antivírus, antispam, antispyware, firewall, IPS, IDS, etc., para roubar. Isso sem contar os “hackers” que invadem apenas pelo prazer de fazê-lo.
Para obter a remissão dos pecados empresariais, a experiência mostra que devemos cultuar o que temos de bom e automaticamente “seremos perdoados”. O Brasil tem o privilegio de ser formado por etnias muito diversificadas, que realmente se misturaram criando um dos mais fascinantes inconscientes coletivos que a humanidade já produziu. Precisamos, além de evitar se volte contra nós, passar a usá-lo a nosso favor.
Se dos portugueses temos o complexo de vira-latas, também vem deles o respeito à tradição, o que serve de portador de diversas manifestações importantes. Das folclóricas como a nordestina e a gaúcha, que proporcionam inúmeras atividades culturais e comerciais, até o forte culto às crenças existentes. É inerente ao ser humano defender no que acredita, imagina isso reforçado pela nossa postura lusitana. Chegamos a matar pelas nossas crenças, convictos de que estamos certos, por isso, melhor se elas forem positivas e sadias, até porque daí valorizaremos a vida e tudo o que ela tem de belo e melhor.
Dos espanhóis temos a predisposição para entrar em disputas que não nos dizem respeito, mas também a voluntariedade.
Os italianos legaram a cultura latina de ser contra o outro, mas também a criatividade, o senso estético, o dar “nó em pingo de água”, o “jeitinho”.
Dos alemães temos a inveja, mas também o orgulho pelo trabalho, a capacidade de organização e sistematização.
E isso referindo apenas quatro das muitas etnias que nos formam.
E as Sete Virtudes dos brasileiros no ambiente empresarial? São muito mais que sete. Elas serão abordadas em novos artigos. Como um estímulo para futuras reflexões, imagine o que nos aguarda se conseguirmos nos livrar dos pecados e ainda desenvolver as virtudes!
Por enquanto duas indicações. Apenas duas, mas para desenvolvê-las precisamos nos superar muito, especialmente para começar. Mas se você leu até esse ponto, as chances são enormes, existe disponibilidade ou temos opiniões semelhantes, já que não é comum nos interessarmos pelo que nos contraria. Gostamos de reforçar crenças existentes e detestamos mudar. O que é uma pena, pois se o fizermos, nós brasileiros teremos bem mais do que sete hábitos extremamente eficazes.
Primeira indicação – Assim como é recomendado na Bíblia – inicialmente admitir que pecamos e reconhecer quais pecados estão mais presentes na nossa vida. Esse é um passo fundamental para evoluir, mudar e obtermos a remissão. A grande vantagem é que não precisamos de um agente externo para nos perdoar. Eventualmente uma ajuda para mudar um comportamento pode agilizar o processo, mas a evolução para a virtuosidade pode ocorrer numa combinação da pessoa com ela mesma.
Redimimo-nos adquirindo conscientemente o comportamento “não pecaminoso” exercitando-o até que ele se torne inconsciente. Podem ser todos os pecados dos quais sofremos ao mesmo tempo, ou priorizando o que mais nos atrapalha.
Adquirir um novo comportamento é como quando aprendemos a dirigir. No início ocorrem alguns solavancos, com o tempo, o treino, a repetição, o fazemos sem pensar e com imenso prazer. Pelas minhas observações são necessários, sem nenhuma relação cabalística, sete meses para consolidar o processo. Como disse sabiamente a respeito deste artigo, quando estava sendo desenvolvido, Jorge Gerdau Johannpeter, um dos melhores exemplos brasileiros cujos pecados, no contexto deste artigo, estão perdoados, talvez por algumas gerações: “importante é ler, entender e evoluir”.
2 – Praticar de forma consistente os aspectos positivos que compõe o nosso inconsciente coletivo. Como já estão em nós, precisamos apenas fazer com que aflorem, se tornem conscientes e se manifestem mais que os negativos. Mantendo a analogia, é como passar de um carro com problemas para um novo com direção e cambio hidráulico. As primeiras vezes que o dirigimos nos atrapalhamos um pouco, depois não gostamos mais de como era antes. Felizmente.
Podemos e devemos ser bem sucedidos! São muitas e cada vez em maior número os exemplos disso. Vale a pena e é possível. Se uma vez, contra tudo e todos, Ozires Silva pariu e fez crescer a Embraer, hoje uma das principais indústrias do setor no mundo, o que você está esperando para escrever uma história parecida? Mesmo que não pareça, hoje é mais fácil. E necessário.
Harry G. Fockink, em ordem crescente de importância: Engenheiro, Administrador, Empresário e Vendedor
Segundo a Bíblia, os Sete Pecados Capitais são gula, avareza, luxúria, inveja, ira, preguiça e soberba. Comportamentos que nascem sadios, mas por serem praticadas em excesso ou de forma obsessiva se voltam contra a pessoa. Assim como ambição desmedida vira ganância, hedonismo se transforma em gula, austeridade financeira e respeito à psicologia do dinheiro em avareza, excitação em luxuria, autoconfiança em soberba, admiração em inveja, o importante ócio criativo em preguiça e a inconformidade em ira. O limite que separa um e outro pode ser tênue, mas é claro. A pessoa, desde que tenha um mínimo de maturidade ou de autoconhecimento, sabe quando o ultrapassa.
E no ambiente empresarial brasileiro?
Os sete pecados são uma forma do inconsciente coletivo brasileiro se manifestar. São comportamentos inadequados gerados a partir de crenças ou posturas incoerentes que adquirimos por viver no Brasil. Não incluem eventuais desvios de caráter, como desonestidade e falta de ética, entre outros.
Da mesma forma como os pecados originais impedem o acesso ao Reino dos Céus, os do ambiente empresarial bloqueiam ou dificultam o caminho para participar do reino dos grandes jogos e competições. Quando a participação é permitida, o campeonato, os jogos, os desafios, os outros jogadores e especialmente os prêmios, isso quando existem, são para amadores ou somos o trouxa da rodada. As exceções, que felizmente ocorrem cada vez mais, apenas confirmam a regra.
Baseados em anos de observação e pesquisas, coletei os principais pecados:
1 – Complexo de inferioridade ou “de vira-latas”, segundo Nelson Rodrigues. O pior dos pecados, mas o mais fácil de curar. Basta parar no caminho entre a subserviência, que é diferente da sadia humildade e a arrogância, a soberba – olha ela ai outra vez. Passamos direto do comportamento vira-lata para o de elefante em loja de cristais. Antes, um pouco antes, está o limite. O ponto ótimo se encontra quando passamos pelo estágio de homo sapiens. Mantendo-nos nele, não sendo subservientes nem arrogantes, somos altamente funcionais!
Nossos antepassados portugueses geraram esse complexo, reforçado pelo tipo de imigrante de outras etnias que recebemos e as circunstâncias da sua vinda.
Como testar se sofremos de “vira-latismo”? É o caso se, especialmente ao negociar, falamos “portunhol” com os argentinos, ou inglês “sambônico” com americanos. Se for algo importante devemos contratar um tradutor e se não for, eles que falem nossa língua! Quando se tenta falar a língua do outro, sem a dominar como se fosse nossa, proporciona-se a passagem psicológica que torna o interlocutor superior a nós com todas as implicações conseqüentes.
2 – Vergonha de vender. O pecado mais caro, o que mais nos onera. Países minúsculos como a Holanda ou poderosos como os EUA tem a postura comercial na raiz do seu sucesso. A vergonha se origina numa combinação do complexo de vira-latas dos lusos com a crença dos italianos e alemães, entre outros, de que “basta fazer bem feito que alguém há de comprar”. Consideravam vergonhoso ter que vender, pois isto significava que estavam fazendo algo ruim, que ninguém desejava. No auge da imigração, quando o nosso inconsciente coletivo empresarial foi formado e a demanda era maior do que a oferta, isso até podia ser verdade. Não atualmente, em que pela primeira vez na história da humanidade, temos excesso de oferta de praticamente tudo.
3 – Vergonha do lucro, de ganhar, ou melhor, fazer dinheiro. Não é mais fácil um camelo passar pelo olho da agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus? Mesmo que haja uma falha na tradução e o animal nada tenha a ver com a história, a cultura do voto de pobreza é responsável por esse pecado. Como uma sadia formalização da inteligência, precisamos cultuar a riqueza, em todos os seus aspectos!
4 – Concursismo - neologismo adequado para o Brasil, onde o primado social pertence à tecnoburocracia estatal. Isso leva muitos “quererem passar num concurso”. Infelizmente boa parte dos melhores o consegue. Depois são coniventes com sua mediocrização. Esse pecado também se manifesta através da péssima forma como o Estado se relaciona com o empresário. E desde o tempo do Império. Basta ver as atrocidades cometidas com o Visconde de Mauá. Este comportamento se origina no “bacharelismo” que imperava já antes da corte portuguesa chegar ao Brasil. Os comerciantes não eram bem-vindos nos salões do império. É óbvio que havia duas origens: a religião e os proprietários rurais
Este comportamento também reforça o ódio que alguns segmentos da sociedade têm pelo empresário. Segundo a ONU, entre as milhares de profissões catalogadas, a de empresário é única que gera riqueza. As demais vivem dele. O empresário deve ser encarado como o braço operador da providência divina. Quando ele está bem, muitos estão. Inclusive os que vivem dos impostos que paga. Quando está mal, todos estão ou ficarão. Nos países ricos, o referencial, o modelo, a figura mais admirada e imitada é o empresário.
5 – Indisciplina, predisposição para desistir, falta de foco, ausência da constância de propósito, da convicção, do monitoramento sistemático e baixa capacidade de superar adversidades. Esperamos e quereremos que as coisas caiam do céu, e no colo de preferência, para não dar muito trabalho.
Bastaram, aos chamados Tigres Asiáticos, a eliminação desse pecado, transformando idéias em ações concretas, monitorando o processo, estimulando o aproveitamento de oportunidades para que ficassem ricos.
6 – Unilateralidade, ser contra o outro, deslealdade, “descombinar” ao invés de recombinar, egocentrismo - uma distorção do egoísmo, algo sadio que nos auto-responsabiliza e faz crescer. Este pecado também poderia ser chamado de “Lei de Gerson”. Ele que não foi gerado pelo anúncio de um cigarro - este apenas explicitou uma crença que faz parte do nosso inconsciente coletivo e por isso marcou tanto. Outra forma dele se manifestar ocorre quando compramos brigas que não nos dizem respeito, ou nos tornamos marionetes em jogo de interesse que não nos beneficia - algo freqüente no ambiente político, sindical e dos “ecochatos”.
7 – Identificação com perdedores - mais uma manifestação de imaturidade, algo bastante presente em todos os demais pecados, mas nesse ainda tem o agravante de reforçar o assistencialismo que mediocriza a todos os envolvidos. É uma manifestação genuína e tipicamente brasileira, que poucas vezes encontrei em outras culturas. Origina-se na combinação de todas as crenças negativas interagindo entre si e se reforçando mutuamente.
Para checar, individualmente ou num plenário bastam cinco minutos de um jogo de futebol entre dois clubes desconhecidos do público presente. Nos países ricos, a maioria dos presentes automaticamente torce pelo que estiver vencendo. No Brasil, dependendo de onde for o teste, ocorre o contrário. Quanto maior o desenvolvimento, mais torcem pelo vencedor. Isso explica o baixo desempenho de Pelotas, por exemplo, que tem em excesso tudo o que se diz que falta para o Brasil “dar certo”, mas há décadas encontra-se num enorme marasmo. Apesar de ter cultura, boa localização, proximidade com porto, duas universidades, escolas técnicas, etc. E o que dizer de Cuba?
Livramo-nos de mais um pecado ficando atentos às nossas reações checando, se estamos admirando ou invejando, se “levamos vantagem” apenas para ser contra o outro, unilateralmente, ou se estamos sendo a nosso favor de forma coerente.
De certa forma, todos os pecados estão inter-relacionados, um reforçando o outro, mas a identificação com perdedores realimenta muito o complexo de vira-latas e vice-versa. Por outro lado, a redução de um ajuda na eliminação do outro.
Conseqüências negativas dos Sete Pecados – induz, de maneira muito forte, que se use negativamente a nossa imensa capacidade criativa e de encontrar alternativas e possibilidades. Por exemplo, infelizmente, o Brasil possui um grande número e alguns dos maiores “especialistas" em fraudes digitais do mundo, os “crackers”. São indivíduos com conhecimentos técnicos às vezes profundos e outras vezes nem tanto, mas que são capazes de invadir sistemas com diversos recursos "anti alguma coisa", como os antivírus, antispam, antispyware, firewall, IPS, IDS, etc., para roubar. Isso sem contar os “hackers” que invadem apenas pelo prazer de fazê-lo.
Para obter a remissão dos pecados empresariais, a experiência mostra que devemos cultuar o que temos de bom e automaticamente “seremos perdoados”. O Brasil tem o privilegio de ser formado por etnias muito diversificadas, que realmente se misturaram criando um dos mais fascinantes inconscientes coletivos que a humanidade já produziu. Precisamos, além de evitar se volte contra nós, passar a usá-lo a nosso favor.
Se dos portugueses temos o complexo de vira-latas, também vem deles o respeito à tradição, o que serve de portador de diversas manifestações importantes. Das folclóricas como a nordestina e a gaúcha, que proporcionam inúmeras atividades culturais e comerciais, até o forte culto às crenças existentes. É inerente ao ser humano defender no que acredita, imagina isso reforçado pela nossa postura lusitana. Chegamos a matar pelas nossas crenças, convictos de que estamos certos, por isso, melhor se elas forem positivas e sadias, até porque daí valorizaremos a vida e tudo o que ela tem de belo e melhor.
Dos espanhóis temos a predisposição para entrar em disputas que não nos dizem respeito, mas também a voluntariedade.
Os italianos legaram a cultura latina de ser contra o outro, mas também a criatividade, o senso estético, o dar “nó em pingo de água”, o “jeitinho”.
Dos alemães temos a inveja, mas também o orgulho pelo trabalho, a capacidade de organização e sistematização.
E isso referindo apenas quatro das muitas etnias que nos formam.
E as Sete Virtudes dos brasileiros no ambiente empresarial? São muito mais que sete. Elas serão abordadas em novos artigos. Como um estímulo para futuras reflexões, imagine o que nos aguarda se conseguirmos nos livrar dos pecados e ainda desenvolver as virtudes!
Por enquanto duas indicações. Apenas duas, mas para desenvolvê-las precisamos nos superar muito, especialmente para começar. Mas se você leu até esse ponto, as chances são enormes, existe disponibilidade ou temos opiniões semelhantes, já que não é comum nos interessarmos pelo que nos contraria. Gostamos de reforçar crenças existentes e detestamos mudar. O que é uma pena, pois se o fizermos, nós brasileiros teremos bem mais do que sete hábitos extremamente eficazes.
Primeira indicação – Assim como é recomendado na Bíblia – inicialmente admitir que pecamos e reconhecer quais pecados estão mais presentes na nossa vida. Esse é um passo fundamental para evoluir, mudar e obtermos a remissão. A grande vantagem é que não precisamos de um agente externo para nos perdoar. Eventualmente uma ajuda para mudar um comportamento pode agilizar o processo, mas a evolução para a virtuosidade pode ocorrer numa combinação da pessoa com ela mesma.
Redimimo-nos adquirindo conscientemente o comportamento “não pecaminoso” exercitando-o até que ele se torne inconsciente. Podem ser todos os pecados dos quais sofremos ao mesmo tempo, ou priorizando o que mais nos atrapalha.
Adquirir um novo comportamento é como quando aprendemos a dirigir. No início ocorrem alguns solavancos, com o tempo, o treino, a repetição, o fazemos sem pensar e com imenso prazer. Pelas minhas observações são necessários, sem nenhuma relação cabalística, sete meses para consolidar o processo. Como disse sabiamente a respeito deste artigo, quando estava sendo desenvolvido, Jorge Gerdau Johannpeter, um dos melhores exemplos brasileiros cujos pecados, no contexto deste artigo, estão perdoados, talvez por algumas gerações: “importante é ler, entender e evoluir”.
2 – Praticar de forma consistente os aspectos positivos que compõe o nosso inconsciente coletivo. Como já estão em nós, precisamos apenas fazer com que aflorem, se tornem conscientes e se manifestem mais que os negativos. Mantendo a analogia, é como passar de um carro com problemas para um novo com direção e cambio hidráulico. As primeiras vezes que o dirigimos nos atrapalhamos um pouco, depois não gostamos mais de como era antes. Felizmente.
Podemos e devemos ser bem sucedidos! São muitas e cada vez em maior número os exemplos disso. Vale a pena e é possível. Se uma vez, contra tudo e todos, Ozires Silva pariu e fez crescer a Embraer, hoje uma das principais indústrias do setor no mundo, o que você está esperando para escrever uma história parecida? Mesmo que não pareça, hoje é mais fácil. E necessário.
Harry G. Fockink, em ordem crescente de importância: Engenheiro, Administrador, Empresário e Vendedor
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