quarta-feira, 11 de abril de 2007

O Rio Grande do Sul e a Cultura Grenal

O Rio Grande do Sul e a Cultura Grenal


A minha atividade empresarial aliada a ampla pesquisa que fiz para escrever o livro “Liderança, o Poder e a Perversão nas Empresas Familiares”, recentemente lançado, me permitiu comprovar um fenômeno psico sociológico que há muito tempo vinha observando, o auto boicote junto com a investigação dos fatores do sucesso e do insucesso empresarial pude pesquisar os principais entraves do desenvolvimento econômico brasileiro. A manifestação mais explícita desse fenômeno é a inveja e a ogeriza que temos dos vencedores, comprovei minha percepção de que o principal limitador do nosso desenvolvimento é a cultura da inveja.
Como tive oportunidade de trabalhar e de conhecer profundamente diversos outros países pude verificar que em todos os lugares onde o fenômeno se manifesta, como por exemplo algumas regiões da Itália, para utilizar dois exemplos próximos a nós, as conseqüências são similares, existe um nível de desenvolvimento às vezes até elevado, mas bem abaixo do que poderia ser, limitado os benefícios próprios e assim os da coletividade.
No Brasil, as manifestações mais intensas pude observar na Bahia, Rio de Janeiro, mas principalmente no Rio Grande do Sul, tanto que passei a chamar o fenômeno no nosso estado de “Cultura Grenal”. Cultura Grenal quer dizer, ficar mais feliz com a derrota, a queda, os problemas do outro, muitas vezes nem concorrentes do que o próprio sucesso. Historicamente, politicamente, sociologicamente, esportivamente o gaúcho é do contra. Como o nosso contexto econômico é um somatório sinergido quem mais perde é o indivíduo, com isso, ao invés de se superar, de ser também um vencedor, admira os vencedores, se invejam e se combatem. Ao invés de usar a energia pessoal para para evoluir, a pessoa investe boa parte de sua vida para derrubar outros. A perda é mais do que dupla, pois o somatório da evolução é sinergico.
As manifestações mais fortes deste fenômeno pude verificar em atividades onde o sadio sentimento de “Espírito de Corpo” se transforma no mediocrizante e realimentador das frustrações no corporativismo.
Entre as empresas o sistema “Cultura Grenal” se manifesta de muitas maneiras, através de boicotes estúpidos, informações erradas buscando prejudicar a imagem ( fofocas), entre empresários se verifica através de “concursos de beleza” caríssimos e improdutivos. Entre executivos da mesma empresa através de traições, “puxadas de tapete” e “pinduradas no pincel” com elevados custos e desperdícios.
Esportivamente e politicamente, basta analisarmos a história, as melhores fases de um clube, de uma região, um país, ocorrem quando quem dirige, quando que é eleito, se preocupa em se superar e não na busca de um revanchismo mediocrizante, que só realimenta desgraça. O custo pessoal é maior que o econômico, pois assim como a vingança, a inveja manifestada ou não sempre se volta contra a pessoa, pois são sentimentos e necessidades não previstos pela natureza. Para verificar isso, basta observar uma vaca. Alguém consegue imaginar esse animal com inveja ou se vingando de outro?
As origens disso são culturais, religiosas e educação familiar, o que até pode ser analisados futuramente com maior profundidade, pois abriria com isso um interessante e didático debate.
Resultado disso:
Quem é basicamente contra o outro, quem fica feliz com a derrota, ou queda do outro, não consegue ser a seu favor. Não sendo a seu favor jamais será feliz, jamais conseguirá se realizar, realizar o seu potencial. Desenvolver a frustração, uma das principais causas das doenças.
E qualquer doença sempre tem um fator psicossomático que a desencadeia.
Se o indivíduo perde, mais uma vez o coletivo perde e se estabelece um processo de realimentação da mediocridade.
O que fazer?
O primeiro passo de uma mudança, de um processo de evolução é se dar conta e aceitar o fator limitador. Uma vez claramente conscientizada, a pessoa precisa passar por um processo de reeducação consciente; vigiando atentamente e perguntando 2, 3 ou até 5 vezes porque, ou seja , quando vai fazer algo que não seja claramente a favor de seu favor, de perguntar porque está fazendo, tendo uma resposta clara, transformar a resposta em mais um porque. Na maioria das vezes são necessários cinco porquês, que se chegue a verdadeira razão. Aí basta avaliar se vai trazer benefício próprio ou só prejudicar o outro. Normalmente no segundo porquê fica claro se é uma motivação saudável ou não. Vale apena continuar a perguntar para que a pessoa se conheça melhor e assim, com o tempo, passe, deixa de boicotar outros e assim também ser boicotado.
Fazendo disciplinadamente este processo, a partir de 6 a 8 meses ( é necessário persistência! ) começa à fazê-lo inconscientemente e com resultados cada vez melhor.
Além disso, deve-se reconhecer, usar e reforçar os pontos fortes próprios e dos principais aliados. Construir a si e ser instrumento de construção destes aliados, o que é muito mais gratificante, saudável, biológicamente, psicológica e economicamente do que destruir, ser do contra, se excita, ou deseja, ou proporciona a desgraça do outro.

OS TRÊS ELIXIRES DA LONGA VIDA -- OS PRÉ-REQUISITOS DA FELICIDADE E DO VERDADEIRO SUCESSO

OS TRÊS ELIXIRES DA LONGA VIDA -- OS PRÉ-REQUISITOS DA FELICIDADE E DO VERDADEIRO SUCESSO

De algum modo, ao longo do livro eles já foram citados. Quem leu com atenção sabe que são basicamente três os elixires da longa vida. Todas as pessoas que souberam como obtê-los, o que em si não é fácil, independente de serem homens ou mulheres, são a comprovação prática do que estamos afirmando. Aliás, estudá-los e conviver com alguns deles foi o que me permitiu desenvolver a abordagem a seguir.

Naturalmente eles valem basicamente para aquelas pessoas que decidiram não apenas cumprir o seu ciclo biológico. Provavelmente eles não servem para os que optaram em apenas passar pela vida biologicamente, ao crescer, se acasalar, eventualmente procriar e esperar a morte. Os “elixires” e o que os compõem, são para aqueles que decidiram cumprir o ciclo psíquico, que buscam e buscaram sua realização pessoal. Portanto, valem para as pessoas que obtiveram sucesso, ou seriamente o buscam independente do que cada um acha o que seja isso.

Mais uma vez trata-se de algo simples que os seres humanos conseguiram complicar:

Elixir 1 -- Liberdade

O primeiro “elixir” é a liberdade, que significa independência, autonomia financeira, emocional e principalmente psicológica, onde fica subentendida a relativização do que normalmente é chamado de moral e ética, pela superação de estereótipos que a nossa educação ocidental de cunho judaico-cristã, entre outras, fortemente impôs.

Na ausência da liberdade, havendo, por exemplo, dependência afetiva de outro, encontra-se a maioria dos fatores desencadeadores das desgraças, desde o insucesso econômico, passando pelas somatizações de um câncer, por exemplo, até acidentes, aparentemente sem uma causa aparente. Cada um encontra a melhor maneira de pôr fim à sua dor e frustração. Este tema voltará a ser visto em um dos próximos itens - “A Dinâmica do Poder”.

Geralmente a evolução da liberdade inicia com a independência afetiva, que tende a implicar na financeira. Assim, mais uma vez, quanto mais cedo uma pessoa decide abrir mão da falsa proteção que viver com a família lhe dá, melhor. A necessidade da liberdade é uma das razões pelas qual um empresário deve ser rico como pessoa física e não só jurídica. Tanto que sempre buscamos encontrar meios adequados e coerentes para que nossos clientes obtenham essa condição, pois desenvolver sua liderança, a capacidade de exercer o poder, a competência empresarial ou de encaminhar a mudança de patamar e assim a sucessão, ou seja, sua “eternização” melhora imensamente.

A liberdade psicológica já é uma conseqüência de todo um processo de autenticação – auto conhecimento -, desenvolvimento e amadurecimento pessoal.


Elixir 2 - Prazer Sadio

Como segundo elemento, mas com o mesmo grau de importância, está o prazer sadio. Ele deve estar cada vez mais presente em tudo o que se faça, se use, se coma, se viva e se conviva. Ele foi colocado como segundo item porque, quanto maior for a liberdade da pessoa, mais ela poderá buscar e obter o prazer. A partir de certo patamar, um realimenta o outro. Na medida em que se evolui em um se obtém crescimento no outro.

A postura de vida deve ser usufruir momento a momento os acertos, as alegrias e as situações de superação. Isso realimenta o crescimento e recarga energeticamente. De maneira didática, para entender o que se quer dizer, analisemos, por exemplo, o que se sente ao se olhar uma fotografia de algum evento ou episódio importante e válido do passado. Junto com as recordações agradáveis, deve-se também lembrar que se gozou e saboreou intensamente, o máximo possível, aquele momento, e não simplesmente se passou por ele sem aproveitá-lo dignamente. Seria uma oportunidade de crescimento e energização positiva perdida, se aquele momento for apenas lembrado saudosamente e com arrependimento de não tê-lo aproveitado melhor.

O prazer também se compõe e exige coisas simples. Algo imprescindível é ter o seu santuário pessoal, um ambiente ecologicamente equilibrado e de preferência em um lugar de acesso restrito, mas com muito conforto, como um sítio ou uma casa de campo ou praia, onde se possam fazer “retiros espirituais”, convivendo apenas consigo mesmo, por algumas horas que seja, afastado de tudo e de todos. Às vezes na companhia de algumas pessoas convidadas explicitamente.

Nossa inteligência também se nutre do que a mente registra e vê; por isso, acertos, belas paisagens, imagens que a natureza nos proporciona, muitas vezes embelezadas pelos homens, são importantes. Devemos registrar principalmente os acertos, nossos e o dos outros. Ressaltando prioritariamente as falhas, a nossa inteligência calcula como continuar errando, pois a mensagem implícita é que o importante e o que mais nos interessa é o erro.

Elixir 3 - Exercer o Poder

O terceiro e mais importante elixir da longa vida ou pré-requisito da felicidade, é exercer o poder, que significa constantemente realizar, construir, transformar em ação evolutiva o seu potencial. Conforme cresce a liberdade, maior será o prazer, o carisma e a alternativa de exercer o poder em níveis e dimensões cada vez mais altos, maiores e mais sofisticados.

Essencialmente, na mudança de patamar do poder exercido, nesse terceiro “elixir”, se encontra uma das poucas, talvez a única, passagem ética e sadia que viabiliza o processo sucessório. Todos os casos bem-sucedidos, trabalhados ou analisados por nós, sempre e apenas, este foi o caso. Mais liberdade, mais prazer e mais poder, em patamares cada vez mais elevados e cada vez mais espaço para a liderança emergente.

Se uma pessoa ao longo da vida exerceu o poder, como é o caso dos fundadores, dos empresários em geral, não poderá de maneira nenhuma abrir mão disso, caso queira continuar saudável física e psicologicamente. Assim como também não pode parar de evoluir, gerando “vácuo” atrás de si, o que pode e deve ser aproveitado pela liderança emergente. No capítulo Mudança de Patamar no Exercício do Poder, retornaremos ao tema.

Estes três elixires básicos, com as suas variantes, têm um significado diferente para cada um dos líderes com os quais trabalhamos ou que pesquisamos. A arte está em identificar a realidade do significado de cada um na sua específica, única e exclusiva situação.

Combinar evolução no exercício do poder, via mudança de patamar, com prazer e liberdade, tendo tudo isso ao mesmo tempo, é o mapa para encontrar o que Ponce de Leon tanto procurou – a fonte da juventude, que não precisa ser eterna, pois para as pessoas realizadas a morte é apenas mais uma mudança de patamar.

Ponce de Leon andou por tantos lugares, passou por tantos sacrifícios, morreu frustrado por não ter atingido seu objetivo, que sempre esteve tão próximo dele. Não se deu conta de que a fonte da juventude estava dentro dele...

Para saber se estamos indo pelo caminho certo, basta prestar atenção em três indicadores:

Ø nas pequenas coisas do dia-a-dia. Estas, se forem bem-feitas e proporcionarem bons resultados,
prazer, automaticamente garantirão as grandes realizações;
Ø nos resultados que se está obtendo e
Ø com que nível de prazer os estamos atingindo. Não pode ser um processo desgastante.

O papel do ensino superior privado no futuro do Brasil

O papel do ensino superior privado no futuro do Brasil

Especialmente os que lecionam no ensino fundamental:

"The direction in which education starts a man will determine his future life." Plato (427 BC-347 BC); Greek philosopher.

Numa tradução minha - "A direção em que a educação inicia uma pessoa determinará seu futuro". Platão (427 AC - 347BC); Filosofo grego.

O papel do ensino privado no futuro do Brasil é muito mais determinante do que o público, pois têm embutidas nele as premissas do que passa a ser realmente importante, do que cada vez será relevante na vida das pessoas e no futuro do próprio negócio do ensino privado. Como seu crescimento e talvez até sua sobrevivência dependa disso, temos uma boa condição inicial para estimular a leitura da reflexão que segue.

A par do importante aspecto da pesquisa, o que realmente interessa, no contexto desta publicação, é que pessoas as universidades formam ou o quanto as deformam.

O estudante típico encontrado nas universidades públicas tem basicamente uma vantagem sobre os das IES privadas – está mais bem preparado e é mais apto para o exame de admissão, o vestibular. Nos demais aspectos, e a partir daí, os estudantes passam a ser muito semelhantes. Com dilemas e dificuldades próximos entre si e até já com vantagens para o que estuda nas IES privadas – normalmente precisam ou precisaram superar bem mais dificuldades para se formar e assim já obtém um treino adicional para enfrentá-las na vida real. E ter a competência de superar adversidades faz muita diferença na vida das pessoas.

Reiteradamente afirma-se que será cada vez menor a oferta de empregos, compensado por mais oportunidades para que as pessoas usem suas competências, seja vinculada diretamente a uma organização ou atuando de forma autônoma. Enquanto as suas competências forem úteis para as organizações ou o mercado. Na medida em que elas forem sendo aprimoradas, a relação se mantém. Se deixarem de ser, a superação deverá ocorrer ou a pessoa será tirada do jogo da vida. Cada vez mais a chamada “lei do mais forte” formulada por Darwin e que na verdade se refere a sobrevivência do mais apto, se manifestará..

Qual das instituições tem melhores condições para se dedicar ao que realmente passa a fazer a diferença no ambiente econômico – desenvolver as competências das pessoas? A que ainda tem status, mas está comprometida pelo corporativismo, onde bastou a pessoa demonstrar a competência importante para a situação – ser aprovada num concurso e a partir daí a estabilidade garante o resto, ou uma na qual todos os dias o mercado exige novas competências dos envolvidos e não tem governo para sustentá-las? Quem fará a transição melhor ou quem a fará primeiro?

Como o mercado, por excesso de oferta, passa a poder realmente definir quem é quem, a escolher e assim exigir, quem mudará primeiro? Seja para aproveitar as oportunidades que o novo patamar proporciona ou obrigado a mudar para sobreviver, certamente serão as privadas, que apesar de pouco ágeis, ainda o são bem mais que as governamentais.

A mudança passa pelo modelo de gestão – as IES terão que ser mais ágeis e para isso precisam alterar seu ciclo de raciocínio e assim de decisão, que na melhor das hipóteses é semestral, quando não anual ou engessado num ciclo de vários anos - o tempo que uma turma leva para se formar. Ela também passa pelo tipo de curso oferecido e seus conteúdos, o mercado exige cada vez mais pessoas competentes, ou seja, pessoas que tenham suas competências desenvolvidas, e isso significa que o modelo de ensino aprendizagem precisa mudar. O papel do professor, o que “entrega a mercadoria” vendida pela instituição, terá que ser profundamente resignificado. Com isso, o processo de avaliação, monitoramento e responsabilização do estudante e sua inserção na vida também o serão.

No fundo, apesar de difícil, por exigir mudanças em algo que não muda desde Parmênides – a forma como se ensina e aprende, é simples. A gestão das IES não mais poderá ser tão amadora como é e o professor passar a ser um mentor, um coach. O resto é conseqüência.

Para essa migração acontecer de maneira mais rápida, menos dolorosa e até mais efetiva, minha recomendação é que se desenvolva uma certificação específica, voltada para as IES privadas, que avalie se a “lição de casa” está sendo feita e inclusive indique caminhos.

Será chegada a hora de ter uma mulher na Presidência da República?

Será chegada a hora de ter uma mulher na Presidência da República?

A relevância da mulher na sociedade brasileira cresce em importância. Felizmente. Na minha experiência pessoal e profissional, inclusive com empresas familiares, percebi que elas erram bem menos, são mais leais, dedicadas, engajadas e muito menos corruptíveis que os representantes do sexo masculino. Sem falar nos escândalos sexuais.

O poder de certa maneira elas sempre exerceram. Até ha pouco tempo, através dos homens. Algo que diminui cada vez mais, já que “força física”, que até umas cinco ou seis décadas fazia diferença, apesar de ainda estar no nosso inconsciente coletivo, deixa de ser importante.

Por sua vez está na hora delas assumirem de forma explicita, não através de maridos, filhos, pais, amantes a sua parte na responsabilidade pelo nosso futuro. Nós homens tivemos a oportunidade e não necessariamente nos saímos bem. Temos tido desempenhos mais próximos da mediocridade, ou seja, da média, do que da excelência. E não só no Brasil.

Certamente nas próximas eleições ainda não teremos esse privilégio aqui, como muitos outros países já estão tendo, seja por falta de postulantes ou pela ausência de preparo, “luz própria” ou maturidade das mais visíveis. Talvez felizmente, pois quando atingirmos esse nível de evolução como sociedade, eleger uma mulher, o desempenho dela deverá ser correspondente à oportunidade e expectativa, para que não tenhamos uma regressão que leve outros séculos para ser superada, como me parece que será no caso da Argentina com suas Evitas e Isabelitas.

Sob esse ponto de vista, dentro das opções mais evidentes na atualidade, nenhuma me deixa otimista. Desconheço ex-esposas que pegaram carona no histórico dos maridos, que tenham tido desempenho acima da média, ou seja, que não tenham sido medíocres na historia mais recente, seja aqui ou fora do Brasil. Certamente a frustração seria muito grande também se elegêssemos para Presidente alguém cuja evolução, maturidade, tenha estacionado na fase que precede os vinte anos – quem não se lembra da frase “aquele, ou no caso, aquela, que não tenha sido socialista na adolescência não tem coração e que se como adulto permanece sendo não tem inteligência”?

Quem mais temos? Infelizmente não vejo ninguém, até porque precisamos uma Tatcher, alguém que tenha “aquilo roxo”, ooops, ou por não ter “aquilo”, tenha a coragem de fazer o que a Dama de Ferro fez na Inglaterra. O meu sonho seria completo se ela ainda fosse bonita. Isso me traz a memória a super Gisele.

Acho que se a modelo Gisele Bündchen se candidatasse nas eleições de 2010, cabos eleitorais não iriam faltar. Eu pelo menos seria um dos primeiros da fila. Mas porque não? Seriamente falando, ela, muito além da sua notória beleza, um prêmio com que a loteria da natureza a brindou, mas também a muitas outras que não conseguem fazer a história que ela faz, é uma inteligência em ação, como poucas outras. E isso é conseqüência de comportamento adequado, postura coerente, educação, percepção diferenciada. Enfim, algo que tem nos faltado – competência.

Nesse meio tempo vou ficar muito atento durante a campanha eleitoral. Entre “prendo e arrebento”, terceira via, sapos e chuchus, (ou seria melhor xuxu – mais próximo de Xuxa?), vou ficar com aquele que melhores chances construir, para que em 2010 possamos eleger a Gisele ou um “xuxuzinho” equivalente. Na pior das hipóteses ficaria muito mais agradável assistir as reportagens e inaugurações.
Harry G. Fockink - Em ordem de importância, engenheiro, administrador, empresário e vendedor

Modelo de Ensino Aprendizagem baseado em desenvolvimento de competências

Modelo de Ensino Aprendizagem baseado em desenvolvimento de competências

A Universidade como rito de passagem sadio.

Mestre, etimologicamente vem de mae tre, três vezes mais, ou seja, era a forma pela qual pessoas comuns se referiam àqueles que sabiam três vezes mais – para si, para os outros e para fazer mais aos outros – tinham conteúdo sempre em evolução, davam o exemplo e ainda possuíam a capacidade de fazer os outros se transformarem em pessoas melhores – eram mentores, quando transmitiam experiência e treinadores, coachs como o mercado as tem chamado, quando proporcionavam o desenvolvimento das competências de seus interlocutores.

Evoluímos muito em todos os campos, menos no processo de ensino e aprendizagem. Não conseguimos sistematizá-lo e nem padronizar os pré-requisitos condicionantes a ponto de ter apenas mestres na função de quem tem o papel de ensinar. Ensinar e aprender continuam sendo feitos como sempre o foram, milênios a fio. Ser mestre é um acaso e não um pressuposto e resultado sistêmico de um processo estruturado.

Em outros campos, um dos grandes estímulos foi a necessidade, a mãe das invenções, que muito contribuiu com a evolução. Independente da causa, eis chegada a hora de evoluir no processo de ensino aprendizagem. Especialmente no ambiente universitário, pois a partir dele irá ocorrer a mudança na sociedade como um todo.

Para desencadear a mudança de patamar inicial e no futuro termos basicamente Mestres envolvidos no processo, alguns pontos começam a se evidenciar:

Todos profissionais que exercem a sua atividade no ambiente universitário, mesmo os que apenas estão professores, seja por que razão for inclusive os das matérias “apenas” de conteúdo técnico, precisarão ser, pelo menos, mentores – repassarem experiência prática válida e coerente com as necessidades atuais. Melhor ainda se dominarem a metodologia do coaching, pois assim não só ensinarão boas práticas, mas serão capazes de fazer seus alunos desenvolverem suas competências.

Quem toma para si o papel de ensinar recebe junto a responsabilidade de ser ou se tornar Mestre. Essa deverá ser a regra. Sempre houve bons professores ao longo da história da humanidade mesmo que, às vezes, a diferenciação, não estivesse claro nem para os próprios. Para os alunos estava, pois eles sempre souberam diferenciar entre feitores, mentores e coachs. Cada um atraindo o seu público específico – respectivamente imaturos, aprendizes e os discípulos verdadeiramente diferenciados.

Entre as razões que abafaram a evolução do processo, encontramos um mercado generoso com alta demanda, o que não impunha a exigência - para ensinar precisa ter a atitude adequada. E ela é fundamental, pois proporciona aos outros a cultura de desenvolver a atitude deles. Aceitava-se a postura da imposição do conhecimento de cima para baixo e não a da sua divisão ou construção. Impor é menos trabalhoso, pois para isso basta ter algum conteúdo, nem sempre útil ou não necessariamente adequado ao escopo. Como o acesso ao conteúdo independe cada vez mais da presença física, esse tipo de “modelo de ensino” também se torna obsoleto.

O Mestre, como coach, tem como função básica ajudar aos seus discípulos, seus estudantes, a desenvolverem suas competências. Principalmente os fazendo descobrir quais são estas, com fundamental importância para a competência básica, o que também é chamado de dom, aquilo com o qual a pessoa se envolve com prazer e faz com diferencias significativos, especial desenvoltura e qualidade. Nem sempre isso é possível, por isso o Mestre deve saber como desenvolver a mais importante das competências – a capacidade de superar adversidades.

Como corolário deste papel, os professores, que então realmente passam a merecer o título de Mestres. Como coachs devem conseguir que os alunos se responsabilizarem por si, levando-os a ter seu planejamento e metas pessoais. Devem ajudá-los a adotar metodologias que sistemicamente os fazem evoluir desenvolvendo, por exemplo, seu Balanced Score Card Pessoal - BSC Pessoal, monitorado e atualizado pelo próprio estudante e ao mesmo tempo servindo de instrumento de acompanhamento do seu processo de evolução, ao invés das notas ou conceitos hoje usados.

O BSC Pessoal é uma metodologia, um processo, que foi desenvolvido pelo Dr. Hubert Rampersad. É um conceito integrado e holístico de melhoria pessoal que combina a abordagem tradicional do BSC corporativo com a teoria da Organização que Aprende. Denominada Total Performance Scorecard (TPS), inicia no estabelecimento da definição da visão, missão e metas pessoais nos campos básicos da pessoa. Proporciona a elaboração de um planejamento pessoal e assim do estabelecimento de um processo de monitoramento e auto monitoramento, ou seja, um acompanhamento detalhado feito pela própria pessoa e de agentes externos, caso isso seja necessário, solicitado, ou desejado.

O TPS cria uma forma inédita, racional, técnica e consistente de inverter o processo de avaliação que normalmente ocorre, de fora para dentro, para ser essencialmente uma auto-avaliação, de dentro para fora. E isso faz toda a diferença. Se fizermos para nós, se competimos conosco, se usamos nossa capacidade para constantemente evoluir, sermos a nosso favor e não perdermos tempo sendo “contra os outros”, a evolução e crescimento se dá numa velocidade incomparavelmente superior a qualquer outro método. O TPS explora com simplicidade e profundidade temas como o da melhoria contínua, gestão racional da mudança, da capacidade de empreender e do aprendizado organizacional, interligando ainda metas pessoais com as empresariais, no caso de pessoas vinculadas a alguma empresa, possibilitando uma evolução sadia da cultura organizacional.
O conceito tem ainda como premissa transformar o conhecimento tácito que as pessoas têm, mas não compartilham, em explícito, o que mais uma vez reforça o ciclo virtuoso do crescimento pessoal.
O TPS resgata conceitos importantes da gestão contemporânea – como o ciclo PDCA da Qualidade Total, o ciclo de aprendizado de Kolb, a melhoria contínua, Coaching, responsabilização do indivíduo por si e trabalho em equipe. E tem o mérito de integrar tudo isso com coerência e criatividade. O que demonstra novamente a necessidade do professor dominar estas ferramentas. Isso ocorrendo, ele pode:

Proporcionar condições para que seus estudantes se livrem de crenças irracionais mediocrizantes, internalizadas no ambiente familiar, social, escolar e religioso pregresso, que, apesar de pleno de “boas intenções”, por limitação da maioria do envolvidos – quem deles é ou foi mentor? -, apenas tende a levar a pessoa a ser um medíocre a mais.

Instrumentar os alunos na habilidade básica de quem está buscando o crescimento pessoal - a capacidade, a competência de superar adversidades, o fator que têm em comum todas as pessoas bem sucedidas, independente do que isso signifique para quem o é.

O domínio e internalização dessa metodologia por parte dos que ensinam é cada vez mais importante, pois o jovem tende a vir de um ambiente de baixa responsabilização por si mesmo, com limitada capacidade de superar adversidades, sem grande auto-conhecimento. Na melhor das hipóteses, estará apenas tateando na busca da sua competência básica (o seu “dom”) e na mais importante delas, tanto que vale repetir ad nauseum, a da capacidade de superação de adversidades. Ele, ainda muito próximo do conteúdo lúdico importante na infância, onde foi feita sua formação comportamental e pessoal mais forte até o momento, se for adequadamente orientado, saberá transpor o portal do pueril brincar, para o da busca da satisfação do pré-adulto em amadurecimento, assim se transformando num adulto com condições de se realizar holisticamente.

O jovem manifesta sua incapacidade de migrar do lúdico – a busca no curto prazo do prazer, às vezes inconseqüente - para a satisfação, através de baixo nível de responsabilidade. Dificilmente teve oportunidade de desenvolvê-la, seja pela pouca idade, excesso de proteção materna ou familiar ou até falta de oportunidade. Demonstra isso buscando prazer imediato, ou se envolvendo em atividades incoerentes, superficiais ou não sadias, como por exemplo, no uso de drogas ou atividades de alto risco. Se não contar com orientadores adequadamente instrumentados, continuará “brincando infantilmente” pela vida afora, pois não faz a transição de uma criança que crescia pelo lúdico para um ser humano adulto, com um adequado grau de maturidade, que cresce através de atividades produtivas que lhe tragam satisfação. Sem orientação tende a não aprender a buscar e a exercer sua competência básica e ainda terá baixa capacidade de superar adversidades. Será apenas um medíocre a mais, que não persiste até conseguir satisfação, voltando-se para o prazer fugaz mais imediato, independente do que este trouxer para ele, de bem ou mal, ou pior, no Brasil ainda tem a possibilidade de buscar uma falsa proteção via um cargo público.

Para orientá-lo, para proporcionar a responsabilização, a transição auto monitorada do lúdico para a busca da satisfação, através do fundamental auto conhecimento, os seus orientadores, cumprem seu papel de coach ao levá-lo a formalizar seu BSC pessoal.

Com algum apoio, de uma forma simples, mas funcional, se pode fazer com que o jovem defina sua visão e missão e assim busque sua vocação e ainda internalize a necessidade do eterno aprendizado. Desenvolva a valorização do processo, a ponto de ele ser tão importante como o chegar, transformando eventuais adversidades, não em tragédias como os medíocres o fazem, mas em desafios, em uma espécie de corrimão para subir a escada da realização pessoal.

Nesse formato, o professor tem o respeito de seus alunos que passam a ser discípulos e não precisa se impor por conteúdo, medo ou manipulação. A resultante do processo será o estabelecimento de um novo modelo de ensino e aprendizagem, pois o meio, o foco, a relação e a forma desta se dar muda completamente.

No novo modelo, o professor passa a ser, no mínimo, mentor – melhor se coach, algo que pode ser aprendido rapidamente, pois apesar de seu imenso alcance, é simples, bastando uma pequena disponibilidade para a experimentação, uma vez que o instrumentário começa estar cada vez mais disponível.

Melhor ainda se o professor passar a ser mestre, o que tende a ocorrer, pois ao tomar contato com o conteúdo do BSC pessoal e do coaching, com algum esforço inicial, haverá uma forte migração. Ele mesmo, se tiver o bom senso de internalizar e usar para e em si os conhecimentos, irá ou voltará a experimentar satisfação. O professor, ao exercitar o processo ser á o maior beneficiado no curto prazo, o que tende a dar consistência e a realimentar o ciclo virtuoso que se estabelece. O nível de saúde mental evolui imensamente – o professor, muitas vezes extremante frustrado com o que e onde faz, que apenas está, passa realmente a ser.

O estudante, melhor orientado, fortemente preparado para a vida, se responsabiliza pelo autodesenvolvimento, também por ter seu comprometimento, como aluno, monitorado de maneira mais inteligente do que apenas uma nota de tempos em tempos, tradicionalmente conquistada mais por avaliação da sua capacidade de memorização do que uma razão realmente válida.

O jovem passará a ser aferido no que realmente importa - o seu crescimento como ser humano, sua evolução como alguém que, por saber como desenvolver suas competências, será bem sucedido em todas as dimensões da vida, inclusive na que envolve conhecimento técnico que tem a ver com seu mercado de trabalho. O conteúdo e o mercado deixam de ser a prioridade como é hoje, quando se formam essencialmente empregados ou candidatos a concursos públicos. A pessoa que tem suas competências desenvolvidas, especialmente a básica e a da superação de adversidades, se responsabiliza por si e construirá o seu próprio mercado de trabalho, se esse não existir. E ainda será oportunidade para outros que não tiveram o privilégio de terem tido mestres, ao lhe proporcionar empregos.

O papel das IES passa a ser a formalização da oportunidade. Deve proporcionar a seus professores e assim alunos, a seus funcionários e especialmente a seu corpo diretivo, as ferramentas e metodologias para que todos vençam o desafio de formalizar o novo modelo de ensino e aprendizagem baseado no TPS e no coaching. Inicialmente os professores passam a ser mentores, depois, como mestres farão constantes mudanças de patamar. Os alunos se responsabilizarão por si e assim desenvolverão suas competências, algo que tende a se transformar numa obrigação para a sobrevivência dele, de quem aceita ser professor e da própria IES,

Nitidamente, quem conseguir dar o salto, desencadeará um círculo virtuoso interno e externo, pois levará junto todo o contexto econômico no qual está inserido, proporcionando a si e a seu entorno significativa vantagem competitiva.

Para os envolvidos, o desafio é vital, mas também muito interessante e de elevado estímulo. Vale a pena, pois significa melhor, muito melhor, qualidade de vida gratificante e plena de satisfação. Basta começar. De qualquer maneira terá que ser feito, pois as pessoas, ao se envolver com o ambiente universitário, especialmente na sala de aula ou na alta gestão, deverão possuir ou desenvolver a qualificação para a superação do desafio com o qual a humanidade as atualmente confronta – as Instituições de Ensino Superior voltarem a ser um “rito de passagem”, onde, de um lado temos um jovem que não se responsabiliza por si e aprendeu a optar pelo lúdico e do outro, um adulto preparado para ser feliz.

Para estimular uma reflexão a respeito, seguem algumas perguntas:

O que você pessoalmente está fazendo para conseguir superar o “desafio final”, ter mestres e mentores como professores?
O que a sua IES está fazendo para vencer esse desafio?
Está se buscando instrumentos como o coaching racional e o TPS?
Ensinar é sua competência básica, o seu “dom”? Você entra em flow – “incorpora” um “espírito especial” quando está ensinando ou fazendo a sua principal atividade?
Ser o gestor é a realização de uma ambição ou manifestação da imatura ganância por poder?
Que ferramentas você domina para ajudar seus alunos a descobrir e desenvolver sua competência básica?
O seu QA – Coeficiente para superar Adversidades - é alto ou baixo?
Qual o seu NR – Nível de Resistência a mudanças? Quanto mais alto, menor o seu QA.
Qual a sua disponibilidade de testar, em si mesmo, ferramentas de desenvolvimento comportamental?
Quanto você se impõe como professor? Quanto por conteúdo e quanto por competência?

A LÍNGUA GAÚCHA E OS CAUSO DAS ESCRITURA

A LÍNGUA GAÚCHA E OS CAUSO DAS ESCRITURA

Desconheço o autor

Foi mais ou menos assim que o guasca contou:

"Pois não sei se já les contei os causos da Escritura Sagrada. Se não les contei, les conto agora:

A história essa é mui comprida, mas vale a pena contá.

De Adão e Eva acho que não é perciso, porque todo mundo sabe que eles foram expulso do Paraíso por tomá banho pelado numa sanga.

Naqueles tempos esse mundaréu todo era um pasto só, sem dono, onde não tinha nem deles nem meu.

O primeiro índio a botá cerca de arame falpado, foi um tal de Abel, mas nem chegou a estender o primeiro fio, porque levou um pontaço no peito, do irmão dele, um tal de Caim, que tava meio desconforme com a divisão.

O Caim entonces, ameaçado de processo feio, se bandeou pros lados do Uruguai.

Deixou um filho dele, um tal de Noé, tomando conta da Estância.

A Estância essa ficava nas barrancas de uma corredeira e o Noé uns anos depois pegou uma enchente das feias pela frente.

Coisa mui séria.

Caiu barbaridade de água.

Tanta água que tinha índio pescando jundiá em cima de um cerro.
O Noé entonces botou as criação em cima de uma balsa e se largou nas correntezas, o índio velho.

A enchente era tão braba, que quando Noé se deu conta, a balsa tava atolada num banhado chamado Dilúvio.

Foi aí que um tal Moisés varou aquela água toda com vinte juntas de bois e tirou a balsa do atoleiro.

Bueno, com aquele despropósito, as família ficaram amigas, e a filha mais velha de Noé se casou-se com o filho mais novo de Moisés e os dois foram morá numa estância mui linda chamada estância da Babulônica.

Bueno, tavam as famílias ali, tomando mate, no galpão, quando se chegou um correntino chamado Golias com mais uns trinta castelhanos do lado dele.

Abriram a cordeona e quiseram obrigá as prenda a dançá uma milonga.

Foi quando os velhos, que eram de muito respeito, se incomodaram e deu-se o entrevero.

Peleia braba, seu.

O correntino Golias, na voz de vamos, já se foi e degolou de um talho só o Noé e o velho Moisés, e já estava largando planchaço em cima do mulherio, quando um piazito carreteiro, de seus dez anos e pico, chamado Daví, largou um bodocaço no meio da testa do infeliz, que não teve nem graça.

Aí a indiada toda se animou e degolaram os castelhanos.

Dois que tinham desrespeitado as prendas foram degolado com o lado cego do facão.

Foi uma sangreira danada, tanto que até hoje aquele capão se chama Capão do Mar Vermelho.

Entonces foi nomeado delegado um tal de major Salomão.

Era home de cabelo nas venta, o major Salomão.

Nem les conto.

Um dia o índio tava sesteando quando duas velhas se botaram em cima de um gurizote que tava vendendo pastel.

O major Salomão era muito chegado ao piazito e passou a mão no facão e, de um talho só, cortô as velhas em dois.

Por essas estimativas, o major Salomão o que tinha de brabo tinha de mulherengo.

Eta índio bueno, seu.

Onde boleava a perna - pois nunca tinha usado cueca, já deixava filho feito, e como vivia boleando a perna, teve filho que Deus me livre, e tudo com a cara dele, que era pra não haver discordância.

Só que quando Nosso Senhor qué, até égua véia nega estribo.

Logo, logo, a filha das predileção do major Salomão, uma tal de Maria Madalena, fugiu da Estância e foi ser china de bolicho.

Foi uma vergonheira pra família, mas ela puxou à mãe que era uma paraguaia meio gaudéria que nunca tomou jeito na vida, e o pobre do major Salomão se matou-se de sentimento com uma pistola Eclesiaste de dois canos.

Mas vejam como é a vida.

Essa mesma, a Madalena, se casou-se depois com um coronel Ponciano Pilato.

O coronel Ponciano foi quem tirou ela da vida.

Eu conheço três causos do mesmo feitio e nenhum deles deu certo.

Como dizia muito bem o meu finado pai, mulher quando toma mate em muitas bombas, nunca mais se acostuma com uma só.

Mas nessa contraproducente até que houve uma contrapartida.

O coronel Ponciano e a Madalena tiveram doze filho, os tal de Apóstolo que são muito conhecido pelas bondade e caridade que fizeram.

Foi até na casa deles que Jesus Cristo churrasqueou com a cunhada da Maria Madalena que depois foi santa afamada.

A tal de Santa Ceia.

Era um tempo muito mal definido.

Andava uma seca braba nos campo.

São José e a Virge Maria tinham perdido todo o gado e só tavam com uma mula branca no potrero, chamada Samaritana.

Um rico animal, criado em casa desde guacha, que só faltava falá.

Pois tiveram que se desfazê da pobre guachinha.

E como as desgraça quando vem, já vem de braço dado, foi bem aí que estourou a Revolução.

Os Maragatos, chefiados por um tal de coronel Jordão, acamparam na entrada da Vila.

Só não entraram porque tava lá um destacamento comandado pelo tenente Lazaro, aquele mesmo que por duas vezes foi dado como morto; mas aí um cabo dos provisório, um tal de cabo Judas se passou-se pros Maragatos e já se veio uns tal de Romano que tavam com uma força de Cavalaria agrupada numas várzeas e ocuparam a Vila.

Nosso Senhor foi preso pra ser degolado por um preto muito forte e feio chamado Calvário, degolador afamado, e que era filho da velha Palestina que tinha sido cozinheira da Virgem Maria.

Degolador é como cobra, desde pequeno já nasce ingrato.

Mas entonces botaram o Nosso Senhor na cadeia junto com dois abigeatários, um tal de João Batista e o primo dele, Heródio dos Reis.

Os dois tinham peleado por causa de uma baiana chamada Salomé e no entrevero balearam dois padres, monsenhor Caifás e cônego Atanásio.

Mas aí veio uma força da Brigada comandada pelo coronel Jesusalém que era meio parente do home por parte de mãe e com ele veio mais dois corpo de Provisório e se pegaram com os Maragatos.

Foi 40 dia e 40 noite de bala e bala.

Morreu três Santos na luta: São Luca, São João e São Marco.

São Mateu ficou trêis mez morre não morre, mas salvou-se o índio finalmente.

Nosso Senhor pegou três balaços, um em cada mão e mais um que varou os pé de lado a lado, e ainda levou mais um pontaço na altura da costela.

Ferimento feio que Jesus curou tomando vinagre.

Aí, Nosso Senhor desiludiu-se dos homes, subiu numa cruz, disse adeus pros amigos e mandou-se de volta pro céu, deixando os dez Mandamentos, que em verdade, são só cinco, mas que se pode acolherá em dois: NÃO SE MATA HOME PELAS COSTAS, NEM SE COBIÇA MULHER DOS OUTROS PELA FRENTE.

Coisas de gaúcho

Coisas de gaúcho
Sem dúvida, no Rio Grande do Sul se desenvolveu algo especial em termos de inteligência, pois somos um “inconsciente coletivo” gerado a partir de diversas culturas, onde realmente houve miscigenação.
Especialmente quatro muito complementares entre si, são preponderantes. Somos uma mistura de alemães, italianos, portugueses e argentinos/espanhóis. Dos alemães temos a habilidade técnica, a capacidade de sistematização, o vínculo com e o orgulho pelo trabalho. Dos italianos a inventividade, o "dar nó em pingo d’água", a criatividade, senso estético. Dos portugueses, a preservação dos valores, tanto que o movimento do tradicionalismo gaúcho, é o maior movimento cultural organizado do mundo e dos argentinos/espanhóis, a postura de "deixa comigo" – disponibilidade e voluntarismo.
Sendo assim, porque não somos o Estado mais desenvolvido e economicamente forte? Porque ainda não "tomamos conta do mundo"? Muitas vezes só conseguimos “dar certo” saindo daqui ou “fazendo de conta” que estamos sendo caudatários de outros, ou pior, nos subordinando a interesses espúrios e alienos aos nossos, bastando para isso que nos dêem um aparente destaque, um falso primado, algo que nem de longe pode ser encarado como a realização sadia e positiva de um potencial inerente.
Limitamo-nos imensamente nas nossas possibilidades, por termos herdado também o lado perverso, doente, complexual, ruim, destas culturas. Dos alemães a inveja, grande desperdício de tempo e energia. Dos italianos, a "cultura Grenal" - torcer mais contra o outro, que a seu favor, somos o povo mais fofoqueiro do Brasil e possivelmente do mundo, o que é maior desperdício que a da inveja. A "cultura Granal,", é algo bastante presente na cultura latina, mas mais forte nos que vieram “per fare l’América”.
Dos portugueses, o complexo de vira-lata, o que nos faz ter a postura de nos sentirmos menos capazes e grandes do que em realidade somos, levando a uma estúpida subordinação a outros, muito menos capazes do que nós.
E dos “hermanos”, a arrogância infantil, pois compramos brigas que não são nossas e nos omitimos nas que nos dizem respeito, acabando mais “sendo do contra", apenas por ser, do que na verdadeira busca de vantagens e resultados, repetindo um comportamento de pré-adolescente, que disputa com os amigos “quem tem o maior”, quando para a sua finalidade, pelo menos em relações heterossexuais, essa é a última coisa a ser valorizada. Quando se faz isso como adultos, temos as crises de ciúmes e os ”concursos de beleza” mais fúteis e estúpidos que se pode ter.
Cada um desses desvios de conduta, por si só já atrapalha. Obviamente misturados, mais ainda, o que gera uma imensa frustração. Isso nos torna extremamente manipuláveis por aqueles que dominam a tecnologia de lidar com as massas, pois ela se baseia especialmente na exploração da frustração das pessoas. O que ocorre mais fortemente com os frustrados.
Dentro deste contexto, muitas vezes causamos enormes prejuízos, a nós e a outros, quando circunstancialmente o lado doente é mais forte que o sadio.
Como um pequeno exercício de mudança consciente de um comportamento negativo, pode-se começar por não ser fofoqueiro , falar mal dos outros, ou pelo menos nos informarmos direito ou não acreditar em desculpas usadas por outros para justificar erros cometidos por eles, por exemplo.
Para que não sejamos multiplicadores de mediocridade, ou seja, fofoqueiros e não emitir conceitos inadequados sobre algo ou alguém, quando se é solicitado a isso ou não, deveríamos ter a especial gentileza e educação de nos informar a respeito da consistência e coerência do que vamos comentar. Assim, se porventura um dia quisermos nos manifestar ou formos instados a isso e se tenha apenas um lado da versão, para não sermos tipicamente meros fofoqueiros gaúchos, convém, no mínimo, ressaltar isso, pois em todo o fato sempre existem duas versões e normalmente “médium virtum est”, ou seja, a virtude está no meio. Havendo algum fato nos imponha responder a respeito do que somos consultados, em se achando que devemos nos posicionar, que tal ouvir o que o outro lado tem a dizer do que se soube apenas de um, ou pelo menos referir que se conhece apenas um lado da versão?
Precisamos, nós gaúchos, nos responsabilizar e beneficiar com essa especial inteligência que temos, fazer com que ela pare de se voltar contra a nossa evolução, crescimento social e econômico. Se cada um se preocupar em se ajudar e basta isso para que paremos de prejudicar gratuitamente outros, a vantagem coletiva será enorme, como atestam aqueles que agem assim.
No mínimo, iremos parar de apenas valorizar o que “vem de fora”, como melhor do que o nosso.

Posso contar com você?

Harry G. Fockink, empresário, mentor da “Universidade do Churrasco” harry@fockink.com.br